PF começa a ouvir presos da Operação Hurricane

Os presos da Operação Hurricane (Furacão, em inglês), deflagrada pela Polícia Federal do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Distrito Federal, começaram a prestar depoimentos às 16 horas deste sábado, 14, na sede da PF, em Brasília. Eles chegaram à cidade durante a manhã deste sábado. Os depoimentos são dados a três equipes de policiais da diretoria de inteligência da PF. Dois dos 25 suspeitos já foram ouvidos no Rio de Janeiro na Sexta-feira. Entre os presos há magistrados, bicheiros e até o advogado Virgílio de Oliveira Medina, irmão do ministro Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Foram cumpridos 70 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão. Antes de viajar para Brasília, os presos passaram por uma bateria de exames médicos para certificar que estavam bem de saúde e em condições para viajar de avião. Os que reclamavam de desconforto e os que têm problemas cardíacos foram avaliados por uma equipe médica do hospital Pró Cardíaco, do Rio. Eles fizeram vários exames dentre os quais eletrocardiograma. De acordo com a PF, todos os presos estão com boa saúde. Entre os presos, o desembargador José Eduardo Carreira Alvim e o advogado Silvério Nery Cabral Júnior já pediram que relaxe as prisões. O pedido será analisado pelo ministro do STF Cezar Peluso, autor da decisão que determinou a prisão do grupo das 25 pessoas. A expectativa é de que Peluso decidirá os pedidos de relaxamento de prisão apenas na próxima semana. É o caso de Raul Ornelas, que representa Luiz Paulo Dias de Matos e a única mulher entre os 25 presos na Operação Furacão, Susie Pinheiro Dias de Matos, que trabalha na Agência Nacional de Petróleo (ANP), também poderá entrar com pedido de relaxamento de prisão de seus clientes. "São pessoas de boa índole e excelente profissionais", afirmou o advogado. "O fundamento de uma prisão temporária é garantir a coleta de provas, o que já foi feito, não há necessidade de manter a prisão após os depoimentos", completou. Mais investigações A Polícia Federal investiga a participação de outros agentes da corporação no esquema ligado a bingos e máquinas caça-níqueis. Um dos suspeitos, segundo a PF, é o delegado federal aposentado Oscar Camargo Costa Filho, que já ocupou a Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo e hoje é advogado com escritório na Avenida Paulista. As gravações da PF mostram Costa Filho intermediando conversas entre representantes de bingos e policiais federais. Na sexta-feira, o escritório e a residência do suspeito foram alvo de uma operação de busca e apreensão. A Diretoria de Inteligência Policial (DIP), que investiga policiais suspeitos de corrupção, já sabia do envolvimento de agentes com os bingos e com os desembargadores José Eduardo Carreira Alvim e José Ricardo Siqueira Regueira, que foram presos na sexta-feira. Há inclusive histórico de monitoramento dos dois em encontro com policiais. Uma das ações flagrou uma conversa no restaurante Garden, em Ipanema, com agentes e delegados da PF. A operação A operação Hurricane teve como base flagrantes de negociação da venda de decisões judiciais, obtidos por meio de escutas telefônicas, para favorecer a máfia das máquinas caça-níqueis, explorada pelos bicheiros do Rio. Entre os detidos estão dois desembargadores do Tribunal Regional Federal (TRF) do Rio, um juiz do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas, um procurador regional da República no Rio e dois delegados federais. Com eles, foi presa a cúpula do jogo do bicho: Ailton Jorge, o Capitão Guimarães, presidente da Liga das Escolas de Samba; Aniz Abraão David, presidente de honra da escola Beija-Flor, e Antonio Petrus Kalil, o Turcão. "Foi a maior operação contra a corrupção já realizada no País", disse o superintendente da PF no Rio, Delci Teixeira. A operação incluiu ainda buscas nos gabinetes dos desembargadores federais José Eduardo Carreira Alvim e José Ricardo de Figueira Regueira. Carreira Alvim foi detido no seu apartamento, na Barra da Tijuca. Regueira desembarcava da Espanha, no Aeroporto Tom Jobim, quando recebeu voz de prisão. Os dois são citados também numa apuração reservada do STJ, sobre tráfico de influência para concessão de sentenças favoráveis à máfia dos combustíveis adulterados no Rio. Investigações Nas buscas, a PF apreendeu 30 carros de luxo e uma quantidade tão grande de dinheiro que foi usado um carro-forte para o transporte até um banco. A ação envolveu 360 policiais de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná e o efetivo do Comando de Operações Táticas. Eles se deslocaram em aviões da Aeronáutica, ficaram em quartéis e usaram 96 carros alugados pela polícia. A investigação começou há um ano na 6ª Vara Federal do Rio, quando a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho autorizou escutas para apurar um esquema de corrupção na PF . Em setembro, o nome do ministro Medina apareceu na investigação, levando o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, a remetê-la para o Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito passou a ser presidido pelo ministro do STF Cézar Peluso, que autorizou escutas inclusive no gabinete de Alvim. O desembargador descobriu os microfones, instalados no forro do teto. Alvim, que disputava a presidência do TRF, acusou na época a direção do tribunal pelos grampos. Na eleição, ele foi derrotado por 15 votos a 9. Os presos - Ailton Guimarães Jorge - bicheiro, conhecido como Capitão Guimarães, é presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro - Ana Claudia Rodrigues do Espírito Santo - Anísio Abrão Davi - bicheiro e presidente de honra da Beija-Flor - Antonio Petrus Kallil - bicheiro, conhecido como Turcão - Carlos Pereira da Silva - delegado da Polícia Federal de Niterói - Delmiro Martins Ferreira - Ernesto da Luz Pinto Dória - juiz do Trabalho do TRT da 15ª Região (Campinas, SP) - Evandro da Fonseca - advogado - Francisco Martins da Silva - Jaime Garcia Dias - advogado - João Sérgio Leal Pereira - procurador da República. Suspeito de integrar esquema de fraudes em sentenças judiciais ao lado do desembargador Ivan Athié. Está afastado do cargo. Foi preso na Bahia. - José Eduardo Carreira Alvim - ex-vice-presidente do TRF-2.ª Região, do Rio de Janeiro e Espírito Santo, e desembargador federal - José Luiz Rebello - José Renato Granado Ferreira - empresário - José Ricardo de Figueira Regueira - desembargador federal - Júlio Guimarães Sobreira - Laurentino Freire dos Santos - Licínio Soares Bastos - Luiz Paulo Dias de Mattos - delegado da Polícia Federal - Marcos Antônio dos Santos Bretas - Paulo Roberto Ferreira Lima - Sérgio Luzio Marques de Araújo - advogado e irmão do juiz federal Marcelo Luzio - Silvério Néri Cabral Junior - advogado - Susie Pinheiro Dias de Mattos - delegada da Polícia Federal. Estava licenciada para exercer o cargo de corregedora da Agência Nacional do Petróleo (ANP), com função era combater as fraudes de combustíveis. - Virgílio de Oliveira Medina - advogado. Irmão do ministro do STJ Paulo Medina

Agencia Estado,

14 Abril 2007 | 17h08

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