PF contesta reportagem de <i>Veja</i> e acusa revista de leviana

A Superintendência da Polícia Federal de São Paulo, em comunicado oficial neste sábado, considera levianas e fantasiosas as informações publicadas pela Revista Veja desta semana, na matéria "Um enigma chamado Freud", em que acusa a instituição da práticas ilegais.A PF contesta informação da revista de que facilitou a visita de Freud Godoy, ex-assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Gedimar Passos, um dos envolvidos na tentativa de compra do dossiê Vedoin, quando ele ainda estava preso na carceragem da PF, em São Paulo. A visita teria ocorrido fora do horário regular e sem registro de autorização. O objetivo do encontro, ainda segundo Veja, era fazer com que Gedimar recuasse na versão de que Freud seria o mandante do "negócio". A publicação se baseia no relato escrito de três delegados da corporação, cujos nomes não são citados na matéria. Gedimar foi capturado na madrugada de 15 de setembro, num hotel em São Paulo, de posse de R$ 1, 16 milhão e US$ 248, 8 mil - R$ 1,75 milhão no total. Com ele, estava Valdebran Padilha, arrecadador do PT em Mato Grosso, que delatou Hamilton Lacerda - então coordenador de campanha de Aloizio Mercadante ao governo paulista - como o homem que levou o dinheiro ao hotel.Comunicado na íntegraEm referência à matéria publicada pela Revista Veja na edição de 18 de outubro de 2006, intitulada "Um enigma chamado Freud", a Polícia Federal em SP vem a público dizer serem levianas e fantasiosas as informações que acusam a instituição da prática de graves ilegalidades, autorizando um encontro entre os personagens citados na matéria com o Sr. Gedimar Passos, custodiado, à época dos fatos, na carceragem da Superintendência Regional da PF em SP.O texto da página 49 da citada revista apresenta relatos inverídicos e imprecisos e se baseia em manifestação anônima, supostamente escrita por "três delegados de polícia federal", conduta que, se verdadeira, se mostra incompatível com o exercício da função policial.Os presos, Gedimar e Valdebran, foram retirados da custódia por volta de 20 horas do dia 18 de setembro com destino à cidade de Cuiabá/MT. Antes, o Sr. Gedimar havia saído da cela unicamente para a realização da acareação, retornando às 17 horas. Tudo registrado em livro a que a citada revista teve amplo acesso.Além disso, o Agente Federal Herculano não realiza plantão na carceragem da PF em SP, mas sim, chefia o referido núcleo, encerrando seu expediente diariamente às 18 horas. Não era, pois, o plantonista no dia 18.Ressalte-se que o Sr. Freud Godoy apresentou-se espontaneamente na tarde do dia 18.09 (14 horas e 30 minutos), foi acareado com o Sr. Gedimar Passos por volta de 16 horas e 30 minutos e após deixou as dependências da PF em SP, sob a cobertura da imprensa nacional, não mais retornando ao prédio.Igualmente mentirosa é a versão que o Superintendente da PF em SP, Delegado Geraldo José de Araújo, teria recebido telefonema do Exmo. Sr. Ministro da Justiça, indagando-o sobre eventual "respingo no presidente". Tal fato nunca ocorreu.Observe-se que o APF Herculano realmente foi procurado por uma repórter da revista, contudo em todo o diálogo desmentiu categoricamente as afirmações da jornalista. Apresenta-se leviana, pois, a ilação da reportagem que assevera não ter o interlocutor confirmado nem desmentido os fatos.Apesar de alertada sobre a total improcedência das ilações, inclusive diante de provas documentais, a revista Veja optou por tentar criar fatos para sustentar sua versão fantasiosa.O Departamento de Polícia Federal não pratica e não admite a prática de ilegalidade, constituindo-se em "Polícia de Estado", voltada unicamente ao combate à criminalidade e à garantia da ordem pública e da segurança da sociedade brasileira e atua com o firme propósito de esclarecimento de todos os fatos apurados no desdobramento das ações relacionadas à Operação Sanguessuga.Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo

Agencia Estado,

14 de outubro de 2006 | 23h57

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