PF de Goiás prende supostos traficantes de mulheres

Uma quadrilha formada por 19 pessoas suspeitas de integrarem uma quadrilha de tráfico internacional de mulheres para exploração sexual foram presas nesta quarta-feira, 6, durante as operações "Castela" e "Madri", desencadeadas Polícia Federal de Goiás, em conjunto com a polícia espanhola. Dezesseis pessoas envolvidas com a prostituição também foram detidas. As prisões ocorreram em Goiânia, Minaçu e Jussara, no Estado de Goiás, em São Paulo e também em Leon e Ourence, na Espanha. A quadrilha era chefiada, na Espanha, pelo espanhol Aquilino Gonzáles Iglesias. No Brasil, pela goiana Maria Corina Fernandes."No total, a quadrilha aliciou 50 mulheres em Goiânia e nas cidades de Jussara e Minaçu, e os aliciadores ganhavam R$ 800 por cada mulher que mandavam para a Espanha", explicou o delegado Luciano Ferreira Dornelas, coordenador da operação. "As mulheres foram levadas para a Espanha, com a promessa de ganharem até R$ 350 por dia trabalhando, como prostitutas, num dos dois clubes controlados por Gonzales Iglesias: o M2, em Leon, ou o Clube Las Ninfas, em Ourence", disse ele.DívidasO delegado comentou que as mulheres eram retidas na Europa pelas dívidas contraídas junto à quadrilha. "Elas chegavam à Espanha devendo quatro mil euros, cada uma, junto aos chefes da quadrilha, que financiavam desde a aquisição do passaporte à passagem aérea, e eram submetidas à situação de exploração sexual", afirmou o policial.As investigações da PF começaram em janeiro do ano passado e as operações contaram com a participação de 47 policiais. O chefe da quadrilha, o espanhol Aquilino Gonzáles Iglesias, foi detido pela Polícia Federal às 15 horas desta quarta-feira, ao desembarcar de um vôo da Ibéria, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, na Grande São Paulo. Segundo o delegado Luciano Ferreira Dornelas, o espanhol fugiu de Madri e veio para São Paulo. Ele deverá ser transferido nesta quinta-feira, 7, para Goiânia, onde a quadrilha está sendo indiciada por falsidade ideológica e tráfico de mulheres.PrisõesEm Goiânia foi presa a chefe da quadrilha, Maria Corina Fernandes, conhecida como Karen. Segundo o delegado Luciano Dornelas, ela atuava há quatro anos no tráfico de mulheres. Sua filha, Mônica Fernandes Chaves, está foragida.Outras sete outras pessoas, cujos nomes não foram divulgados pela Policia Federal, também foram presas simultaneamente em Goiânia, Minaçu e Jussara.Um médico de Goiânia também está sob investigação da PF. Ele assinou blocos de receitas de medicamentos de uso restrito, entre eles o Cytrotec, e está sendo procurado. Novas prisões, de pessoas envolvidas com a quadrilha, deverão ocorrer nas próximas horas, segundo a polícia.Na Espanha foram presos quatro brasileiros, membros da organização criminosa, nos clubes M2 em Leon, e oito mulheres brasileiras em situação de prostituição. No Las Ninfas, em Ourence, foram detidos oito mulheres e um homem brasileiros. Três deles trabalhavam para a quadrilha que traficava mulheres."O Brasil é um dos principais países exportadores de mulheres apara a exploração sexual na Europa", afirmou o delegado Luciano Dornelas. "E, ao contrário do que se pensa, os grandes focos dos aliciadores estão operando no interior do país e não nas capitais", avaliou.

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