PF denuncia pagamento de ´bingão da Justiça´ em São Paulo

Empresários ligados a bingos pagavam uma mensalidade de R$ 20 mil a R$ 30 mil para desembargadores, juízes e uma funcionária da Receita Federal, além de lobistas envolvidos em um extenso esquema de venda de sentenças, revelou nesta sexta-feira, 20, a Polícia Federal. Em coletiva no final da tarde desta sexta, o superintendente da PF em São Paulo, Geraldo José de Araújo, disse que o pagamento não seria apenas um ?mensalão?, mas sim um ?bingão da Justiça?. De acordo com as investigações da PF, que começaram depois de uma denúncia do Ministério Público Federal em agosto de 2006, a quadrilha contaria ainda com a participação de policiais. A investigação foi interrompida há cerca de um mês, quando funcionários da companhia Telefônica vazaram informações sigilosas sobre grampos telefônicos para os policiais civis, que avisaram por sua vez os investigados. Quando a organização criminosa começou a queimar provas, o STJ foi avisado. A denúncia só foi confirmada pela PF no final da tarde desta sexta, quando a Superintendência de São Paulo fez uma coletiva. Araújo ainda disse que donos de bingos chegaram a pagar R$ 150 mil a magistrados por uma liminar que garantiria o funcionamento de suas casas. Os bingos também se beneficiariam desses créditos tributários. Operação Têmis Nesta sexta-feira, 20, a Polícia Federal apreendeu pilhas de documentos, discos rígidos de computadores e pelo menos cinco veículos, durante a Operação Têmis, que visa a combater suposta venda de sentenças judiciais e lavagem de dinheiro no Estado de São Paulo. Foram realizados mais de 80 mandados de busca e apreensão nas casas e escritórios de 43 pessoas - entre desembargadores e juízes federais, empresários e advogados -, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Campo Grande. Eles são acusados de envolvimento com uma organização criminosa especializada na compra e venda de liminares para beneficiar casas de bingo e empresas interessadas em conseguir créditos tributários. A PF pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a prisão preventiva dos investigados, mas o juiz federal Félix Fusher negou. Entre eles estão os desembargadores Alda Bastos e Nery da Costa Júnior e Roberto Haddad, além dos juízes Maria Cristina Cukierkorn, da 23ª Vara Federal, e Djalma Moreira Gomes, da 25ª Vara. Banda podre Segundo informações da revista Consultor Jurídico, a Polícia Federal teve de suspender a Operação Têmis depois de descobrir o vazamento de informações sigilosas. Mesmo com a interrupção, a PF conseguiu cumprir 80 mandados de busca e apreensão. Na capital paulista, a polícia invadiu o prédio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região e da Justiça Federal para vasculhar gabinetes de desembargadores e juízes. Apreendeu documentos, notebooks e HDs de computadores. Na operação, são investigadas 43 pessoas, entre juízes, desembargadores, advogados, um procurador e uma servidora da Fazenda Nacional, policiais e empresários. O vazamento das informações teria partido de um funcionário de uma concessionária de telefonia. De acordo com a Polícia Federal, ele contou a um dos policiais investigados sobre a existência das escutas telefônicas e este avisou os colegas. As buscas desta sexta-feira foram feitas em casas de juízes e nos gabinetes. Policiais federais estiveram nos gabinetes de pelo menos dois desembargadores e dois juízes federais: os desembargadores Nery da Costa Júnior e Alda Maria Basto e os juízes federais Djalma Moreira Gomes e Maria Cristina Barongeno. As pessoas ficaram sem acesso aos prédios. O juiz Djalma Moreira não concedeu nenhuma liminar em favor do funcionamento de bingos. A investigação contra ele se dá porque seu nome é citado nas escutas telefônicas. Os policiais também apreenderam documentos no gabinete do desembargador Roberto Haddad. Mas não se sabe se é ele o alvo da operação, já que até há pouco tempo o gabinete era ocupado pelo juiz federal convocado Manoel Álvares. Há uma linha de investigação que liga as operações Têmis e Hurricane. Na primeira, parte dos investigados pela suposta compra de liminares são donos de bingos. Na outra, foram presos os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 2ª Região José Eduardo Carreira Alvim e José Ricardo Regueira, o juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região Ernesto da Luz Pinto Dória e o procurador regional da República João Sérgio Leal Pereira. Texto ampliado às 19h24, para acréscimo de informações

Agencia Estado,

20 Abril 2007 | 18h51

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