PF desarticula grupo de policiais que extorquia empresários

Foram cumpridos mandados de busca; 6 estão presos também acusados de corrupção passiva e concussão

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2009 | 00h00

A Polícia Federal desarticulou ontem uma quadrilha de policiais e ex-policiais especializados em achaques contra empresários suspeitos de crimes fazendários e de contrabando em São Paulo. A Operação Persistência levou para a cadeia dois agentes da Superintendência da PF em São Paulo, um ex-policial militar, um ex-policial civil e duas outras pessoas que se faziam passar por policiais."A Polícia Federal não tolera desvio de conduta de seus servidores", afirmou o delegado Leandro Daiello Coimbra, superintendente da PF em São Paulo. Segundo ele, são investigados os crimes de corrupção passiva, concussão e extorsão. Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e seis dos sete de prisão decretados pelo juiz Fernando Marcelo Mendes, da 10ª Vara Federal.Os acusados teriam sido denunciados em novembro por um empresário que a quadrilha tentava envolver com contrabando. De acordo com o superintendente, a quadrilha exigia de R$ 5 mil a R$ 50 mil de suas vítimas. Desde novembro de 2008, o grupo era monitorado pela inteligência da PF.Os agentes presos eram da Delegacia de Defesa Institucional (Delinst) e do Setor de Operações (SPO). O ex-policial civil era escrivão antes de ser expulso da instituição. Já o ex-PM era um sargento - Sérgio Bueno. Este último esteve envolvido no assassinato do delegado Alcioni Serafim Santana. Santa era corregedor da PF em São Paulo e foi morto em 1998 por pistoleiros a mando de um colega, o delegado federal Carlos Leonel Cruz, conforme sentença da Justiça Federal que o condenou a 27 anos de prisão.Segundo o superintendente, há dois casos de achaque já confirmados pelas investigações e outros ainda estão sendo apurados. "Gostaríamos que os empresários que foram vítimas desse grupo nos procurem", afirmou. Com um dos acusados que se passava por policial foram apreendidos R$ 5 milhões em cédulas falsas. Na casa de um dos agentes federais foram achados R$ 13 mil e um jet ski.

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