PF desarticula quadrilha que lavava dinheiro do tráfico

Movimentações financeiras de jovens com pouco mais de 20 anos chamaram a atenção da PF

Solange Spigliatti, estadao.com.br

23 de julho de 2008 | 11h25

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira, 23, de forma simultânea no Brasil e no Uruguai, a Operação Pedra Redonda, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em tráfico de substâncias entorpecentes. Cinco pessoas foram presas, quatro delas em Porto Alegre e uma no Uruguai. Eles são acusados de lavar dinheiro do tráfico, realizando movimentações financeiras pela internet.   Cerca de 60 policiais federais cumprem oito mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão em Porto Alegre e no Uruguai. A investigação, segundo a PF, teve início na Operação Ouro Verde, deflagrada pela Polícia Federal em março de 2007, que resultou na prisão de uma quadrilha que operava um banco ilegal e enviava dinheiro ao exterior.   Durante a análise do material apreendido foi verificada a movimentação financeira de um jovem gaúcho, que apesar de ter menos de 30 anos e não possuir atividade profissional definida, era um dos principais investidores do banco paralelo, sendo titular de vários milhões de dólares. Ele foi preso hoje no Uruguai, segundo a PF.   Em trabalho conjunto com agentes do Drug Enforcement Administration (DEA), órgão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Polícia Federal verificou que o jovem integrava uma quadrilha que operava farmácias virtuais na internet e comercializava drogas sintéticas de uso controlado, vendendo essas substâncias de forma ilegal, especialmente para os Estados Unidos.   Foram localizados bens de alto valor com os parceiros do jovem gaúcho, como mansões na Flórida, avaliadas em milhões de dólares e automóveis de luxo, como Ferrari, entre outros. O gaúcho também era responsável pela lavagem de dinheiro da quadrilha e utilizava o banco paralelo desarticulado na Operação Ouro Verde para enviar e receber dinheiro do tráfico de drogas no exterior sem ser detectado pelas autoridades.   Estavam envolvidos também outros jovens, alguns com grande conhecimento de informática e com pouco mais de 20 anos de idade, que executavam tarefas e agiam como seu braço direito, e utilizava seus familiares para movimentar valores e registrar bens em nome de terceiros.   A investigação contou também com auxílio da Interpol e da Direção Nacional de Informação e Inteligência da Polícia Uruguaia, pois após a Operação Ouro Verde e a investigação do DEA, o jovem gaúcho passou a transitar por vários países da Europa para não ser localizado e utilizava o Uruguai como base para reencontrar familiares, amigos e realizar encontros de negócios que mantém na região.

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