PF descobre conexão Varginha no caso do dossiê

Agnaldo Henrique de Lima, funcionário de uma empresa de eventos em Varginha (MG), afirmou nesta quinta-feira à Polícia Federal que entregou R$ 250 mil em dinheiro vivo a Hamilton Lacerda, então coordenador da campanha do senador do PT Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo. Ele declarou que a entrega do dinheiro ocorreu nas imediações do Hotel Ibis Congonhas, na zona sul de São Paulo. Nesse endereço, a PF prendeu, no dia 15 de setembro, os petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha de posse de R$ 1,75 milhão que seria usado para adquirir o dossiê Vedoin.Lima disse que foi usado como laranja, mas só descobriu isso quando viu Lacerda na TV e o reconheceu como o homem a quem teria entregue a bolada. No depoimento em Varginha, contou que a operação foi articulada por seu patrão, o empresário mineiro Luís Armando Ramos, mas o dinheiro foi sacado de uma conta dele próprio em uma agência de Pouso Alegre (MG). Segundo ele, seu patrão pediu-lhe, dias antes de ir a São Paulo, que emprestasse sua conta para receber um depósito em valor elevado. Parte do dinheiro, R$ 80 mil, teria sido transferido para a conta por Ramos e o restante teria sido entregue a ele em espécie.Já em São Paulo Lima acrescentou que nas imediações do Ibis seu patrão fez contato com alguém pelo celular e dali a pouco um homem chegou, com um segurança. Seria Lacerda. Alguns dias depois, Lima viu Lacerda em um telejornal e lembrou-se da pessoa que foi apanhar os R$ 250 mil.O circuito fechado de TV do Ibis mostra Lacerda tomando o elevador com uma sacola onde estaria o dinheiro para o dossiê. O ex-coordenador de campanha de Mercadante nega. Diz que na mala havia apenas material de campanha e um notebook.A PF ainda quer verificar dados da história de Lima, incluindo a operação bancária. Para o delegado Willian Nascimento Santos, da PF em Varginha, outras pessoas podem estar envolvidas. Ele duvida que sozinho Lima teria condições de depositar tanto dinheiro em sua conta e transportá-lo até São Paulo.Com o depoimento, a PF acredita ter achado a segunda fonte dos reais apreendidos - R$ 1,16 milhão. A primeira seria o jogo do bicho. A PF chegou a essa conclusão porque alguns maços de cédulas estavam envoltos em cintas de papel com a identificação de casas de apostas.Colaborou Vannildo Mendes

Agencia Estado,

27 de outubro de 2006 | 08h27

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