PF detém político espanhol por desacato em Cumbica

Ele se recusou a passar frascos de líquido da bagagem de mão por raio X e teve de pagar multa de R$ 6 mil

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

12 de dezembro de 2008 | 00h00

O diretor do Departamento do Partido Popular da Espanha no exterior, o espanhol Alfredo Prada Presa, de 50 anos, foi detido na manhã de anteontem, no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, ao embarcar para seu país de origem. Ele se recusou a passar dois frascos cheios de líquido, que estavam na bagagem de mão, pelo aparelho de raio X no setor de embarque do aeroporto.Ele foi informado de que poderia transportar o líquido em embalagem plástica, procedimento padrão adotado em aeroportos, principalmente em vôos internacionais. Presa teria se exaltado e desrespeitado duas funcionárias da Infraero. Dois agentes da Polícia Federal foram chamados. Presa teria se dirigido a eles de forma desrespeitosa e, com tom de voz elevado, questionou se eram realmente policiais federais. Ele também se recusou a apresentar o passaporte e, depois de muita insistência, teria dito: "Toma! É um passaporte europeu".Ontem, ele compareceu a uma audiência na 1ª Vara Criminal de Guarulhos e foi condenado a pagar R$ 6 mil, que serão revertidos para a Defesa Civil de Santa Catarina. "Não há sentido na recusa, pois é um procedimento de segurança para o bem-estar dos passageiros. Ele não pode querer ser privilegiado só porque ocupa um cargo político", avalia o procurador da República Vicente Mandetta, que propôs a multa. Segundo ele, Presa primeiro teria dito que era senador e, depois, afirmado que era deputado espanhol. "Acredito que, por ser um representante popular, ele deveria dar o exemplo."O cônsul-geral da Espanha em São Paulo, Fernando Martinez, foi ao aeroporto prestar assistência ao político, acompanhado de um advogado e de um funcionário do consulado. A reportagem do Estado ligou diversas vezes ao cônsul, na tentativa de conversar com Presa, mas ele não retornou os telefonemas.COLÔNIA E CREMEÀ agência de notícias EFE, Presa disse que foi vítima de um "acidente absurdo, por abuso de poder" e que carregava uma colônia e um spray de espuma de barbear. Uma delegada da Polícia Federal do Aeroporto Internacional de Cumbica, que prefere não se identificar, disse que o político também foi desrespeitoso na delegacia. "Ele tentou nos coagir, dizendo que o Ministério das Relações Exteriores iria telefonar e obrigar a soltá-lo", disse a delegada. Ela diz que nunca soube de um passageiro que tenha se negado a seguir o procedimento padrão.Nem a delegada nem o procurador Mandetta souberam informar se havia algum líquido nos frascos que o deputado se negou a mostrar.O Partido Popular faz oposição ao governo do primeiro-ministro espanhol José Luis Rodriguez Zapatero. Segundo fontes ouvidas pelo Estado, Presa teria vindo ao Brasil para estimular os votos dos imigrantes espanhóis na próxima eleição.A Embaixada da Espanha no Brasil não sabe o que Presa fazia no País, já que ele não ocupa nenhum cargo do governo. Ele retornaria à Europa ontem à noite.

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