PF divulga balanço de apreensões da Operação Hurricane

A Polícia Federal divulgou neste sábado, 14, um balanço sobre as apreensões realizadas nesta sexta-feria, no Rio, nas casas dos 25 presos pela Operação Hurricane (Furacão, em inglês). Foram apreendidos R$ 10 milhões, R$ 5 milhões em cheques, US$ 300 mil, 34 mil euros, 400 libras esterlinas e 51 veículos. O mais caro dos automóveis é um Mercedes-Benz, avaliado em R$ 550 mil. Entre os presos estão dois desembargadores do Tribunal Regional Federal do Rio, um juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas, um procurador regional da República no Rio, dois delegados federais e o advogado Virgílio de Oliveira Medina, irmão do ministro Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça. A apreensão mais curiosa ocorreu em um cofre do bicheiro Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio. Foram encontrados no cofre 27 relógios de pulso luxuosos. Os documentos apreendidos deveriam chegar ontem a Brasília. Os automóveis serão levados à capital federal em cinco caminhões-cegonha. Advogados Indignados com a falta de informações sobre o inquérito, os advogados dos presos orientaram os seus clientes a não falar nos depoimentos à PF, durante a prisão temporária de cinco dias. Eles reclamaram que não conhecem os fatos que levaram os clientes à prisão e os orientaram a só falar em juízo. Até o final da tarde deste sábado, o Supremo Tribunal Federal (STF) já tinha recebido dois pedidos de relaxamento de prisão: para o desembargador federal José Eduardo Carreira Alvim e para o advogado Silvério Néri Cabral Junior. O STF somente deverá liberar o acesso dos advogados ao inquérito na próxima semana. Essa falta de informações poderá dar munição para as defesas pedirem a anulação do inquérito sob alegação de cerceamento de defesa. Defesa Advogados e amigos dos 25 presos estiveram na carceragem da PF em Brasília, onde os envolvidos no escândalo estão detidos. Representantes da Federação Nacional dos Delegados da PF estiveram no local para prestar solidariedade aos três delegados presos na operação: Carlos Pereira da Silva, Susie Pinheiros Dias de Mattos e Luiz Paulo Dias de Mattos. A advogada Consita Aires, do bicheiro Antônio Petrus Kalil, o Turcão, informou que o seu cliente só vai falar em juízo. "Ele não vai prestar depoimento . Nós não conhecemos o fato." Consita chegou logo cedo à carceragem e sua maior preocupação era com o estado de saúde do seu cliente, de 82 anos, que usa marcapasso e é o mais idoso do grupo. A PF informou que todos os presos passaram por exames médicos antes de viajar para Brasília e o estado de saúde deles era bom. Silêncio O advogado Raul Ornellas também orientou os seus clientes, os delegados Luiz Paulo de Mattos e Susie de Mattos, a não falarem no depoimento. O advogado Virgílio de Oliveira Medina, irmão do presidente do STJ, recebeu a visita do amigo e advogado Renato Tonini. "Estamos todos chocados. Não sabemos de nada." O advogado Nélio Machado, que representa o desembargador José Ricardo Regueira e o Capitão Guimarães, também criticou a falta de informações. O presidente nacional da OAB, Cezar Britto, decidiu procurar o ministro da Justiça, Tarso Genro, para protestar contra a dificuldade que os advogados estão tendo para se comunicar com seus clientes.

Agencia Estado,

14 Abril 2007 | 22h54

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