PF diz que onda de terror no Rio é reação do crime organizado

O superintendente da Polícia Federal (PF) do Rio de Janeiro, Marcelo Itagiba, classificou a nova onda de terror provocada pelo crime organizado na cidade, nesta segunda-feira, como ?uma reação? às ações do governo para atacá-las.?É um soluço que essas organizações estão tendo, porque toda vez que o Estado contra-ataca, tentando desarticular a estrutura dos bandidos e se faz presente, eles reagem de forma ainda mais violenta?, comentou Itagiba.Ele acentuou que os governos também estão se articulando para enfrentar os criminosos, investindo principalmente na área de inteligência. ?Estamos agindo e, em algumas missões, temos obtido sucesso. Em um dado momento, eles vão ser desarticulados por inteiro e vamos devolver a paz à população do Rio?, assegurou o diretor da Polícia Federal.Marcelo Itagiba reconhece, no entanto, que existem muitas dificuldades para impedir a entrada de armas e de drogas no País, principalmente devido ao tamanho do território e à extensão das fronteiras. Para ele, é ilusão pensar que possa existir controle total das fronteiras.?Se fosse assim, os Estados Unidos, que dispõem da tecnologia mais avançada do mundo, já teriam conseguido acabar com muitos de seus problemas?, disse Itagiba, acrescentando que, para que as fiscalizações sejam mais efetivas, é preciso investir em equipamentos, pessoal, helicópteros e, para isso, é preciso dinheiro.?Policiamento de fronteira só se faz com helicópteros?, observou, ao ressaltar que este governo já demonstrou desejo de atacar as estruturas criminosas. Segundo Itagiba, não há país no mundo que consiga abrir todos os contêineres e bagagens. Por isso, esse trabalho é feito por amostragem, pela Receita Federal.Da mesma forma, não há como fiscalizar todas as fronteiras. Mas ele afirma que a PF está cumprindo seu papel. ?Não adianta só cortar a linha de produção, o que não depende de nós. Da mesma forma, não há meios humanos e materiais de cortar a linha de suprimento por causa das fronteiras brasileiras. Por isso, temos de atacar o crime organizado e as quadrilhas e, para isso, precisamos da ajuda dos governadores e de todos que possam colaborar?, acrescentou.Ele disse que, em alguns Estados, como Rio e São Paulo, tem havido comunhão de esforços para combater a criminalidade, o que tem de se repetir nos demais Estados brasileiros. ?Cooperação dos governadores no combate ao crime é condição ?sine qua non?, declarou, ao avisar que há ?vontade política? das autoridades federais e estaduais para ?dar um basta? na situação vivida no Rio.?Estamos reunindo esforços?, acentuou. Sobre a possibilidade de o governo regulamentar a lei do abate, já aprovada no Congresso, que permite a derrubada de aviões que estejam voando clandestinamente, Marcelo Itagiba disse que esta não é uma questão da sua alçada. Mas ele entende que ?qualquer instrumento legal que seja adotado para impedir o aumento do tráfico de drogas deve ser usado, já que não só as drogas, mas também as armas, chegam ao País por via aérea?. Veja o especial:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.