PF entra na selva atrás de garimpeiros em Rondônia

A Polícia Federal fez uma megaoperação na reservaindígena Roosevelt, na região de Pimenta Bueno, no sul de Rondônia, para retirar todos os garimpeiros que ainda estão na área e decretar ofim da extração de diamantes, motivo do conflito que resultou na morte de 29 garimpeiros. A região possui a maior jazida de diamantes do mundo. Durante todo o dia, mais de 400 homens da PF e Exército cercaram várias partes da reserva Roosevelt, enquanto que integrantes de outros22 orgãos estaduais e federais começaram a fazer levantamentos estratégicos. A ação foi a primeira da chamada Operação Mamoré, que vai realizar outras nove missões em diferentes partes do Estado, no combate principalmente ao crime organizado, quando começarão a ser feitas asprimeiras prisões. Os primeiros resultados, segundo a PF, só começarão a surgir a partir de amanhã, quando diversas outras fases da operaçãoserão desencadeadas.Levantar novos indícios sobre o massacre dos 29 garimpeiros na reserva do Roosevelt passou a ser um dos principais objetivos da Operação Mamoré. A determinação é pela retirada de todos os mineradores da região, com possibilidade de prisão, se for necessário. "Podem ser brancos ou índios, serão impedidos de garimpar", informou o superintendente da PF em Rondônia, Marco Aurélio Moura. Dentro desta ação, cerca de 30 policiais federais irão entrar na floresta fechada junto com funcionários da Fundação Nacional do Índio(Funai) para tentar localizar outros possível corpos, já que garimpeiros sustentam que os índios cinta-largas assassinaram mais de29 mineradores. "O fato de estar desaparecidos não quer dizer que estejam mortos", disse o superintendente da PF. Ainda assim, a buscaserá efetivada floresta adentro.Índios - Os 29 garimpeiros mortos dentro da reserva Roosevelt foram assassinados por cem guerreiros cinta-larga, em dois lugares distintos. Três mineradores foram executados por vingança, enquanto que os outros 26 foram mortos quando estavam sendo levados para um posto de vigilância da Fundação Nacional do Índio (Funai), dentro da área. As informações foram repassadas pelos próprios índios ao coordenador de uma força tarefa na região, Walter Blós, que foi retirado da região por estar ameaçado de morte e hoje mora na sede da Polícia Federal, em Porto Velho. O fato coincide com relatos de pelo menos doissobreviventes. Segundo Blós, os índios descobriram, depois de prender 15 garimpeiros, que outros 150 estavam explorando uma mina na área conhecida como Grotado Sossego. Cerca de cem guerreiros foram ao local e depararam com um minerador conhecido como Baiano Doido, que teria ameaçado alguns índios. ?Mesmo preso, o Baiano provocou os guerreiros e foi morto junto com outras duas pessoas que estavam com ele?, contou Blós. ?Outros 23 estavam sendo levados para o posto de vigilância quando um deles falou,em voz baixa para outro garimpeiro, que não seriam presos e fariam uma emboscada para os índios. Por isso foram mortos a flechadas, bordunas e armas de fogo.? ?Parecia uma guerra. Em 11 anos de garimpo nunca vi uma coisa dessa. Tive muito medo de morrer?, afirmou Marlene Pereira Dutra, uma das sobreviventes.Segundo ela, cerca de 200 pessoas estavam na Grota do Sossego quando os índios chegaram atirando. Um grupo correu para o meio da floresta, a 80 metros do local, onde ficaram por seis horas. ?A gente só ouvia gritos e pancadas. Quando voltamos, encontramos três corpos já enterrados.? Ela e outras três pessoas caminharam 40 quilômetros pela mata, atravessaram o Rio Roosevelt à nado até encontrarem uma caronapara a cidade.Segundo Blós, os próprios índios cinta-larga contaram a ele o relato do massacre, revelando os três primeiros corpos, que foram encontradostrês dias após os assassinatos. ?Mas quando os garimpeiros mortos foram descobertos, um grupo aprisionou o índio Marcelo Cinta-Larga em umaárvore em Espigão D`Oeste, o que fez com que os guerreiros retraíssem e não contaram mais sobre os demais casos?, contou o coordenador da Funai. Segundo ele, só depois que a tensão ficou menor, é que voltaram a relatar as demais mortes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.