PF estuda ligação entre morte de fiscais e crimes no PA

A Polícia Federal está investigando a possibilidade de haver ligação entre a morte dos auditores fiscais e do motorista do Ministério do Trabalho, na quarta-feira passada, com vários crimes ocorridos no Pará, nos últimos meses. Dois fatores levaram a PF a estender a apuração do caso: o método usado pelos assassinos, a chacina, são semelhantes ao de pistoleiros paraenses, e o fato de muitos fazendeiros da região de Unaí também possuírem propriedades naquele Estado, onde os matadores poderiam ter sido contratados. "As características dos assassinatos de Unaí são parecidas. Por isso, existe a possibilidade de que os executores sejam de outros lugares, principalmente do Pará", afirmou um dos investigadores.A partir de amanhã, a PF vai ouvir fazendeiros e agenciadores de mão-de-obra, os conhecidos "gatos", que foram autuados nos últimos meses pelos auditores Nelson José da Silva, João Batista Soares Lage e Erastoteles de Almeida Gonçalves, mortos na semana passada junto com o motorista Airton Pereira de Oliveira. Hoje, os investigadores terminaram de cruzar documentos encontrados com os fiscais - principalmente guias de autuação recentes - com outros papéis enviados pela Delegacia do Ministério do Trabalho em Minas Gerais.A PF enviou para serem periciados em Brasília três computadores do fiscal Nelson Silva, que morava na região de Unaí. Os investigadores esperam encontrar novos indícios que possam ajudar no esclarecimento do crime. Considerado o mais rígido de todo o grupo, o fiscal denunciou no ano passado que havia sido ameaçado de morte por fazendeiros da região.Pará - Equipes da Polícia Federal no Pará começaram a fazer levantamentos sobre vários crimes de pistolagem ocorrido no Estado, principalmente no ano passado, para tentar fazer cruzamento com o assassinato dos auditores fiscais em Unaí. A PF suspeita que os matadores possam ter sido agenciados no Estado, já que a maneira como agiram são semelhantes a de outras mortes. "Um exemplo disso é a forma como foi realizada a emboscada e também pelo fato de ter havido uma chacina como ocorre no Pará", explica um investigador. O levantamento será feito em torno de pelo menos 40 assassinatos envolvendo grande número de pessoas como vítimas. A última chacina aconteceu em agosto, quando oito trabalhadores rurais foram mortos em São Félix do Xingu, no sul do Pará."Caso trágico" - O ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, disse hoje que os assassinatos em Unaí não ficarão impunes, independentemente de haver ou não o envolvimento de "fazendeiros poderosos". "Ninguém está fora da lei nem acima da lei. Seja poderoso, seja pobre", disse ele, após participar da posse do novo presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato. Bastos lembrou que uma nova tendência no direito penal é punir com mais rigor quem teve melhores oportunidades na vida e, mesmo assim, cometeu um crime. "Este caso é um caso trágico, que mostra um desrespeito muito grande e uma tentativa de atemorizar o poder público que nós não vamos aceitar", declarou.

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