PF faz nova perícia em grafia de contador

A Polícia Federal decidiu submeter a novo exame grafotécnico o contador Antônio Carlos Atella Ferreira, principal personagem da violação do sigilo fiscal de Verônica Serra e Alexandre Bourgeois, filha e genro do presidenciável do PSDB, José Serra.

Bruno Tavares e Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2010 | 00h00

O primeiro laudo, subscrito pelo perito João Paulo Arnoldi Moracci, foi inconclusivo. Ao comparar a assinatura de Atella com as assinaturas lançadas nas falsas procurações de Verônica e Alexandre, o perito identificou pontos convergentes, mas insuficientes para afirmar que a fraude partiu do punho do contador.

Na última terça-feira, Atella retornou à PF e, diante do delegado Hugo Uruguai Bentes Lobato, que dirige a investigação, copiou diversas vezes um texto e repetiu sua assinatura. A coleta do material grafotécnico teve a supervisão de um perito.

A PF suspeita que o próprio Atella adulterou as assinaturas de Verônica e Alexandre. Ele admite ter protocolado na Delegacia da Receita em Santo André, há um ano, pedido de cópia das declarações de renda do casal, mas nega ter falsificado as assinaturas. Ele atribui ao office boy Ademir Estevam Cabral o pedido de acesso aos dados fiscais de Verônica e Alexandre.

Ademir, por sua vez, confirma a encomenda, mas, em depoimento à PF disse, "que não se lembra" para quem fez o serviço. Duas testemunhas disseram à PF que Cabral tinha pressa para levar o envelope com as declarações de renda "para uma pessoa de Brasília". Atella apontou o advogado Marcel Schinzari como o principal cliente de Cabral. Schinzari nega relação com o escândalo - diz que estava fora do País quando os sigilos fiscais foram violados.

A meta da PF é identificar o mandante. Para isso, conta com o resultado da quebra de sigilo telefônico de Atella para saber com quem conversaram nos dias que antecederam e sucederam a violação do sigilo.

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