PF fecha empresa de segurança que dá apoio ao Garra

A Polícia Federal (PF) determinou nesta segunda-feira o fechamento e o encerramento imediato das atividades da G4 Serviços e Consultoria de Segurança, por falta de alvará para funcionamento. A empresa está sendo investigada por oferecer apoio de carros do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) no serviço de segurança privada. A Delegacia de Segurança Privada da Polícia Federal intimou o atual dono da empresa, o investigador aposentado do Paraná, David Daniel, para prestar depoimento. Ele prometeu se apresentar entre amanhã e depois. O não cumprimento da ordem de fechamento da empresa pode levar o dono da G4 a ser indiciado por crime de desobediêcia. A suspeita de que a empresa é coordenada por policiais do Garra teve início quando um funcionário ofereceu para um empresário o suporte de veículos do grupo nos serviços como uma prática antiga. A conversa foi gravada e divulgada por uma emissora de rádio. Além disso, o histórico da empresa apresenta vínculos com policiais. O G seria uma alusão ao Garra e o 4, aos policiais do grupo que comandariam o esquema. O símbolo da empresa é uma águia, como o do Garra. O ex-dono da G4, Cyllas Salerno Elia Júnior - que hoje é agente policial - é irmão do chefe dos investigadores do Garra, Márcio Francisco Stellato Elia. A mulher de Cyllas está registrada como responsável pelo site da empresa, que saiu do ar na sexta-feira, e com o e-mail de Cyllas. Amanhã, o delegado da corregedoria José Antônio Gonçalves de Caires, que apura o envolvimento de policiais com a G4, vai interrogar quatro funcionários da empresa. O juiz Marco Antônio Coelho Zilli, do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), decide hoje sobre o pedido de quebra do sigilo telefônico da G4. O delegado-geral de polícia, Marco Antônio Desgualdo, tem evitado falar sobre o assunto. Hoje, ele se recusou a receber a reportagem da Agência Estado. O chefe da Polícia Civil informou apenas, por meio da assessoria da imprensa da Secretaria da Segurança Pública, que vai manter no Garra os policiais suspeitos de participar da G4. Desgualdo diz que vai esperar a apuração feita pela Corregedoria para tomar alguma providência. Márcio entrou de férias.

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