PF indicia Humberto Costa, Delúbio Soares e mais 40

A Polícia Federal indiciou, como resultado das investigações da Operação Vampiro, o ex-ministro da Saúde e candidato ao governo de Pernambuco, Humberto Costa, e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares por corrupção. Embora investigado, o ex-ministro José Serra, candidato ao governo de São Paulo, ficou de fora da denúncia por falta de provas do seu envolvimento com a máfia que desviava recursos do ministério, com a cumplicidade de servidores públicos, mediante a compra superfaturada de hemoderivados, medicamentos e equipamentos da área da saúde.Costa e Delúbio figuram na lista de 42 pessoas indiciadas pelo delegado Arcelino Damasceno Pereira. Eles se juntarão aos 18 presos em 2004, quando a Operação Vampiro desmantelou a quadrilha. As provas de envolvimento dos dois surgiram com o cruzamento dos dados obtidos nas buscas e apreensões e os depoimentos tomados ao longo da investigação. Agora, o procurador da República Gustavo Pessanha analisará o oferecimento de denúncia à Justiça contra cada um dos acusados.Na tarde desta sexta-feira, o Humberto Costa convocou entrevista para anunciou que tinha sido indiciado pela Polícia Federal por formação de quadrilha, corrupção passiva e fraude em licitações referentes a Operação Vampiro, cujos acusados ficaram conhecidos como a máfia do sangue. O candidato tomou a decisão somente após saber que a Revista Veja tinha descoberto a informação e publicaria reportagem an edição deste final de semana.Atuação dos vampirosA central de corrupção montada pelos vampiros na Saúde controlou compras de medicamentos num montante de R$ 4,4 bilhões, entre 1999 e 2004, para os programas DST/Aids, do diabetes e de hemoderivados. Esse total corresponde a 80% das aquisições feitas pela Coordenação-Geral de recursos Logísticos do Ministério, sob o comando do coordenador Luiz Cláudio Gomes da Silva, homem-chave da quadrilha, levado para a Pasta pelo ministro Humberto Costa.Por sua participação, Costa foi enquadrado também nos artigos 90 e 92 da Lei de Licitações (8.666). Somadas, suas penas podem chegar a nove anos de reclusão, caso seja condenado. Delúbio pode pegar até 12 anos de cadeia. Relatório de auditoria feito pela Controladoria-Geral da União (CGU) no Ministério comprovou a atuação da quadrilha. O documento constatou que as irregularidades remontam a períodos anteriores ao do atual governo, mas a PF e o Ministério Público não encontraram provas do envolvimento do ex-ministro Serra com o esquema.Pela estimativa da PF e do Ministério Público, a fraude teria causado um prejuízo de cerca de R$ 2 bilhões aos cofres públicos. Entre os indiciados no inquérito estão empresários, lobistas e servidores da Saúde. A investigação constatou um festival de ilegalidades, praticadas no ministério de forma continuada por cinco anos, sob os olhos das autoridades. O superfaturamento de preços, em alguns casos foi de mais de 80%.

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