PF interroga único brasileiro que estava a bordo Legacy

O diretor de Marketing para Jatos Executivos da Embraer, Daniel Robert Bechmann, único brasileiro que se encontrava no Legacy que se chocou com o Boeing da Gol em 29 de setembro passado, matando 154 pessoas, foi interrogado nesta quinta-feira, 26, na Polícia Federal. O delegado Renato Sayão disse que vai manter o depoimento em sigilo para confrontar as contradições com os pilotos do aparelho, os americanos Joe Lepore e Jan Paladino, que serão ouvidos ao final do inquérito e cujos passaportes estão retidos no Brasil.Bechmann depôs por duas horas. Além dele, viajavam como passageiros do Legacy o jornalista Joe Sharkey, do New York Times, e mais três americanos: O diretor de vendas da Embraer e dois diretores da empresa de táxi aéreo compradora do jato, a ExcelAire.Sayão pediu ao Ministério Público Federal que acompanhe a pendência entre a PF e o Comando da Aeronáutica, que se recusa a repassar os dados da investigação sobre as causas do acidente, alegando sigilo militar. A questão será decidida, talvez ainda na sexta, 27, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele disse que a recusa está retardando o inquérito e impedindo definição dos responsáveis pela maior tragédia da aviação brasileira.Entre o material sonegado pela Comissão de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) estão as caixas pretas do Legacy e as perícias realizadas nos dois aparelhos. Sayão pediu à Justiça Federal a quebra do sigilo desses dados. Só depois disso ele marcará o depoimento dos pilotos americanos, que continuarão retidos no Brasil.Na próxima semana, o delegado começa a ouvir os 10 controladores da torre do Cindacta, de Brasília, que estavam de plantão no dia do choque entre as duas aeronaves. Existe a suspeita de que eles tenham tido participação nas causas do acidente, o que só poderá ser comprovado com a entrega dos dados do Cenipa. Até a noite desta quinta ainda não havia sido localizado o corpo da última vítima do acidente, o bancário Marcelo Paixão.

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