PF investiga contrato da Agricultura com PUC

Suspeita é de fraude em convênio de R$ 9,1 milhões intermediado pelo lobista Júlio Fróes com uso indevido do nome da FGV como suposta concorrente

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2011 | 00h00

A Polícia Federal vai investigar indícios de fraude em contrato de R$ 9,1 milhões entre o Ministério da Agricultura e a Fundação São Paulo (Fundasp), mantenedora da PUC no Estado. Assinado em agosto de 2010, com intermediação do lobista Júlio Fróes, o contrato teria sido firmado com uso indevido do nome e do timbre da Fundação Getúlio Vargas (FGV), como suposta concorrente em licitação. A FGV pediu a investigação do caso e a punição dos responsáveis, segundo denúncia publicada ontem no jornal Folha de S. Paulo.

O contrato se destinava ao treinamento dos funcionários do ministério e a Fundasp já teria recebido R$ 5 milhões do montante previsto. A PF informou que a denúncia será investigada no âmbito do inquérito 1526, aberto no início da semana para apurar corrupção, desvio de dinheiro, tráfico de influência e outras irregularidades na pasta. As denúncias provocaram a demissão do ministro Wagner Rossi.

Conforme a PF, a direção da Fundasp será intimada a depor na próxima semana. No requerimento protocolado ontem, a FGV alega que os fraudadores do contrato teriam falsificado a assinatura do professor Antônio Dal Fabbro, que coordena o setor de aprimoramento de executivos.

Em nota, a Fundasp se dispôs a devolver o dinheiro já recebido e anular o contrato se ficar comprovada a fraude. Afirma que criou comissão de investigação interna e reitera a intenção de colaborar com as autoridades, pois "é a maior interessada na apuração dos fatos para esclarecimento da verdade".

O Ministério da Agricultura observou que o caso está sendo apurado pela PF e espera que em breve seja esclarecido. Primeiro ouvido no inquérito, o ex-presidente da Comissão de Licitação da pasta, Israel Batista, confirmou a existência de um esquema de propina no ministério, com o conhecimento de Rossi. O ex-ministro negou a acusação. Batista informou no depoimento que Fróes tinha trânsito livre e frequente na pasta. Segundo o servidor, o lobista teria lhe oferecido R$ 5 mil de propina para não atrapalhar o contrato em favor da PUC.

"Ele (Fróes) me disse que era uma ajudinha referente ao auxílio prestado durante a execução do termo de referência", disse no depoimento, alegando que recusou a propina. Nos próximos dias, Fróes prestará depoimento e deve sair indiciado por corrupção ativa.

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