Charles Bispo/Folha de Boa Vista
Charles Bispo/Folha de Boa Vista

PF investiga crime eleitoral e aborda governador de RR

Agentes pararam carros onde estavam Anchieta Júnior (PSDB) e seguranças em busca de dinheiro para suposta compra de voto

Loide Gomes ESPECIAL PARA O ESTADO BOA VISTA, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2010 | 00h00

O governador de Roraima, Anchieta Júnior (PSDB), candidato à reeleição, foi abordado pela Polícia Federal (PF) por volta das 11 horas de ontem, quando chegava ao Palácio Senador Hélio Campos, sede do Executivo estadual. Com ânimos acirrados, os seguranças do governador e os agentes federais apontaram armas entre si. Não houve disparos.

A abordagem, segundo a PF, ocorreu após denúncia de que os dois Honda Civic da comitiva de Anchieta, nos quais estavam o governador e seus seguranças, estariam levando dinheiro de um suposto esquema de compra de votos. Os carros foram revistados, mas não foram encontrados indícios de ilícito eleitoral, segundo o superintendente da PF, Herbert Gasparini. Ele garantiu que a PF desconhecia quem eram os ocupantes dos carros.

"Ninguém sabia que o governador estava no carro, mesmo porque o veículo que foi abordado tem propaganda política", disse. "Ele (Anchieta) foi tratado com toda a deferência pelos agentes. Tudo foi filmado."

Anchieta minimizou o fato de ter sido parado sob a mira de armas. "Foi uma abordagem de rotina, imparcial. A ação da PF sempre é feita com armas em punho e meus seguranças também portam armas, estão sempre alertas nestas situações", alegou.

Apesar disso, o tucano afirmou não ser "natural" um governador ser revistado dessa forma pela PF. "Este é um processo eleitoral atípico. Nunca tínhamos visto ação com essa dimensão."

Anchieta classificou a denúncia que motivou a ação da PF como "infundada" e disse que teria sido criada pela oposição para "tumultuar e atrapalhar o processo eleitoral". "Foi a quarta vez que fui parado por agentes federais", acrescentou. Nesta semana, sua mulher, Sheridan, também foi revistada pela PF.

Representação. O deputado Márcio Junqueira (DEM), aliado do tucano, foi à sede da PF logo após o incidente para pedir mais calma durante as investigações. Em entrevista aos jornalistas, ele disse que a ação foi "truculenta" e que vai representar a PF junto ao Ministério da Justiça e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) por ter sido "parcial". Ele foi vaiado por correligionários de Neudo Campos (PP), adversário de Anchieta. Houve tumulto e três pessoas foram detidas.

Gasparini negou excessos. "A Polícia Federal faz abordagem armada, a não ser que seja uma atividade que não seja ostensiva. As pessoas ficam nervosas e até agressivas na atuação da PF", afirmou. O superintendente disse que não abriria inquérito, uma vez que não encontrou dinheiro, e que as pessoas detidas foram liberadas.

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