PF investiga desvio de R$ 10 milhões no Banrisul

PF investiga desvio de R$ 10 milhões no Banrisul

Diretor de Marketing do banco gaúcho e dois empresários são presos sob acusação de integrar esquema de cobrança de propinas

Wálmaro Paz, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2010 | 00h00

Uma força-tarefa da Polícia Federal do Rio Grande do Sul, do Ministério Público Estadual e do Ministério Público de Contas, executou na manhã de ontem 11 mandados de busca e apreensão em agências do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), nas agências de publicidade DCS e SLM e nas residências de alguns diretores que estariam envolvidos no desvio de R$ 10 milhões dos cofres do banco.

Durante a Operação Mercari, como foi batizada, foram presos o diretor de Marketing do Banrisul, Valnei Fehlberg; o diretor da SLM, Gilson Stork ; e o diretor da DCS, Armando D"Elia Neto. O Banrisul não quis se pronunciar sobre o caso.

O esquema se daria por meio de superfaturamento na produção de ações de marketing contratadas por agências. O trabalho era terceirizado a empresas que subcontratariam os reais executores dos serviços a preços muito menores do que aqueles cobrados ao banco. A quadrilha, de acordo com o delegado, cobrava propina de 30% sobre os serviços contratados.

Os policiais encontraram nas residências dos investigados a importância de R$ 2 milhões em reais, dólares e euros, cuja procedência não foi explicada. Os acusados foram detidos sob as acusações de peculato - no caso do diretor do Banrisul -, lavagem de dinheiro, descaminho e evasão de divisas.

O superintendente da Polícia Federal gaúcha, delegado Ildo Gasparetto, disse não descartar a possibilidade de o dinheiro desviado estar sendo usado para financiamento de campanhas. "Mas ainda não podemos afirmar nada." Segundo Gasparetto, caso seja descoberta a utilização do montante em propaganda eleitoral o fato será comunicado ao Ministério Público Eleitoral.

Segundo o delegado, o esquema utilizado pelos acusados tinha um modus operandi muito parecido com o dos envolvidos na Operação Rodin. Realizada em 2009, a operação investigou o desvio de R$ 40 milhões dos cofres do Detran gaúcho. O processo, com nove réus, continua tramitando sob sigilo na Justiça Federal e motivou o pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB), negado pela maioria da Assembleia Legislativa no ano passado.

Nas diligências realizadas na manhã de ontem trabalharam 76 policiais federais acompanhados dos promotores Geraldo da Camino e Tiago Conceição. A operação foi comandada pelo delegado regional executivo José Antônio de Oliveira.

Investigação. Durante a coletiva de imprensa, os delegados foram evasivos para "não prejudicar as investigações". Segundo o delegado Gasparetto, Fehlberg, diretor do Banrisul, já havia sido preso há cerca de 60 dias portando dólares num aeroporto de São Paulo. "Foi solto com base em um habeas corpus", contou o delegado da Polícia Federal.

O delegado explicou ainda que as investigações começaram em outubro do ano passado, a partir de denúncias feitas aos Ministérios Públicos Estadual e de Contas. Como os acusados foram enquadrados em crimes federais, como evasão de divisas e sonegação fiscal, os promotores procuraram a Polícia Federal para a formação de uma força-tarefa. Segundo Gasparetto, o prazo para o fim das investigações é de 15 dias.

Fim de contrato. Depois da operação, o Grupo Ogilvy enviou nota à imprensa informando que vai desfazer o contrato com a SLM no Rio Grande do Sul. Na nota, a empresa afirma que soube do suposto envolvimento da SLM em desvio de verbas por meio da imprensa e que "desconhece quaisquer irregularidades acerca de eventuais serviços prestados ao Banrisul". E encerra com a informação que "desde logo, está desfazendo o acordo operacional com a agência de publicidade SLM."

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