PF já prendeu 112 em operações

Ontem, computador foi apreendido após comentário de mãe de acusado

Marcelo Auler, RIO, O Estadao de S.Paulo

13 Fevereiro 2009 | 00h00

As Operações Trilha e Nocaute, deflagradas pela Polícia Federal anteontem, já levaram à prisão de 112 pessoas acusadas de envolvimento com o tráfico de drogas sintéticas. Além delas, outros 13 envolvidos, cujos mandados de prisão foram concedidos por três juízes fluminenses, continuam sendo procurados. Na quarta-feira, quando as duas operações foram deflagradas, os quase 300 agentes da Polícia Federal que atuaram no Rio e em sete Estados localizaram e prenderam 55 dos 68 denunciados à Justiça Federal e Estadual com mandados de prisão deferidos. Outros 57 envolvidos foram presos nos dez meses de investigações, principalmente em 26 flagrantes de tráfico de cocaína do Brasil para o exterior e de drogas sintéticas da Europa para o Brasil. Ontem, policiais federais foram apreender um computador na residência de Ângela Tadeu, mãe de Alexandre Lemos Frossard, preso anteontem. A busca ocorreu após a mãe do preso, numa conversa telefônica pela manhã, comentar que, se a polícia tivesse pego o computador de sua casa, o filho estaria mais comprometido. Ela não imaginava que o telefone continuava monitorado com autorização judicial. A polícia agiu rápido, obteve novo mandado de busca e recolhendo o equipamento. As operações da Polícia Federal resultaram até agora em cinco ações penais em três juízos diferentes. A Operação Nocaute teve início em uma investigação sobre o comércio de ecstasy ajuizada na 32ª Vara Criminal Estadual. A partir dos grampos telefônicos autorizados pelo juízo estadual, em 27 de setembro agentes federais prenderam em flagrante Weksley Fernando Oliveira e Silva, no Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte, desembarcando com 25 mil comprimidos de ecstasy. Ao caracterizar o tráfico internacional, o juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte encaminhou o caso para a Justiça Federal. Na 7ª Vara Federal, no final da investigações, o procurador da República Marcelo Miller fez duas denúncias. A maior atinge os 26 jovens acusados de ajudar Rodrigo Gomes Quintela, o Kaled, a trazer drogas sintéticas da Europa para revenderem no Brasil. Uma segunda denúncia foi feita contra dez envolvidos no tráfico internacional, com menor participação no grupo. Como não ficou caracterizada a participação no tráfico internacional de nove dos envolvidos - eles compravam as drogas sintéticas de Kaled e as revendiam no Rio -, a Polícia Federal encaminhou parte da investigação para o Ministério Público Estadual, que denunciou o grupo por tráfico de drogas na 32ª Vara Criminal. Foi o juiz Pollo Duarte quem assinou os mandados de prisão desses acusados. A denúncia foi dividida em dois processos, um contra dois moradores de Niterói que revendiam a droga sintética para os traficantes da favela da Mangueira. Os sete acusados de revender droga em festas na Ilha do Governador, na zona norte do Rio, responderão a outra ação. O quinto processo, na 8ª Vara Federal, é do grupo comandado pelos irmãos Alessandro e Rafael Fernandes Campos Lima. Eles levavam cocaína para a Europa em troca de drogas sintéticas que revendiam não só no Rio, mas em outros Estados brasileiros como Santa Catarina e Pernambuco, e em Brasília. NA PRISÃO Entre os presos nas duas operações, 36 estão no Presídio Ary Franco, em Água Santa, isolados dos demais detentos. Ontem foi grande a movimentação de parentes no local, mas os presos só puderam receber os advogados. Alimentos, como biscoito e leite em pó, só podem ser enviados para lá por Sedex. Familiares levaram ventiladores, colchonetes e roupas, e evitaram a imprensa. COLABOROU CLARISSA THOMÉ

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