PF manda 200 homens para megaoperação em Foz

Um contigente de 200 homens da Polícia Federal chegou hoje a Foz do Iguaçu, em um avião Hércules da Força Aérea Brasileira, para uma das maiores operações já realizadas no SUL do País, visando a repressão ao crime de corrupção do servidor público. O resultado da Operação Trânsito Livre foi a prisão, até a tarde, de 42 pessoas, das quais 31 policiais rodoviários federais, um policial civil e dez "batedores", pessoas que trabalham como intermediários entre os ônibus carregados de contrabando e os policiais. Estes recebiam dinheiro para deixar passar alguns ônibus sem vistoria. Cinqüenta e sete equipes da PF continuam a operação, visto que a juíza da 1ª Vara Criminal Federal de Foz do Iguaçu, Paula Weber Rosito, determinou a prisão de 55 pessoas - faltavam ser presos nove policiais rodoviários e quatro "batedores". De acordo com o assessor de Comunicação Social da PF em Foz do Iguaçu, Marcos Koren, há inquéritos desde 1999 relatando fatos dessa natureza, mas o trabalho de investigação intensificou-se no ano passado. Ainda não se tem o montante que os policiais arrecadaram com a corrupção. No entanto, hoje, em apenas um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foram encontrados R$ 8 mil que, acredita-se, seja o resultado de uma noite de corrupção. A estimativa é que os batedores ofereciam de R$ 200,00 a R$ 500,00 por ônibus para que a passagem do contrabando fosse facilitada. De acordo com Koren, os policiais eram "parte nuclear" da quadrilha.Eles recepcionavam os "batedores", que vinham à frente dos ônibus em veículos menores. No posto da PRF em Santa Terezinha de Itaipu ou Céu Azul, o dinheiro arrecadado entre os contrabandistas era entregue pelo "batedor" ao policial, que recebia informações sobre a placa do ônibus que deveria passar sem revista. Os documentos eram preenchidos como se todas as medidas de prevenção tivessem sido tomadas. Ainda segundo a Comunicação Social, a PF conseguiu juntar vários documentos que comprovam o delito, entre eles a gravação de um filme, em que aparecem pessoas fazendo a negociação. Além disso, com os mandados de busca expedidos pela Justiça, foram recolhidos outros documentos e computadores que poderão robustecer as provas. Durante as prisões de ontem, dois policiais rodoviários tentaram fugir para o Paraguai, mas foram detidos na Ponte da Amizade. Outro foi preso em Curitiba, onde estava passando férias. Os policiais rodoviários estão detidos no Batalhão do Corpo de Bombeiros de Foz do Iguaçu, o policial civil foi entregue a seu superior na cidade, enquanto os "batedores´ foram levados para a cadeia pública. Eles responderão pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, facilitação do contrabando e prevaricação.Em março deste ano, a PF já havia detido, durante a Operação Sucuri, 38 pessoas em Foz do Iguaçu - 22 policiais federais, quatro fiscais da Receita Federal, dois policiais rodoviários federais e dez "batedores" - acusados do mesmo crime. Todos respondem a inquérito em liberdade.

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