PF matou piloto de Abadía em 2005

Piloto que recebeu traficante no Brasil foi primeira vítima da Lei do Abate; 3 aeronaves do bando foram rastreadas

Rodrigo Pereira e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2012 | 00h00

Aviões da quadrilha do traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía transportaram maconha, cocaína e dinheiro pelo espaço aéreo do Brasil. Um deles foi abatido a tiros por agentes da Polícia Federal, em 2005. Os disparos mataram o piloto Alcides Correa da Costa, a primeira vítima da Lei do Abate. A aeronave, um Piper Azteca, estava registrada em nome do piloto.Costa foi um dos primeiros contatos de Abadía no Brasil. Em 2003, o colombiano fugiu de seu país num veleiro e desembarcou no Ceará. Ali era aguardado por Costa e pelo piloto André Telles Barcellos, preso na terça-feira por suas ligações com Abadía. Barcellos e Costa pilotaram o avião que trouxe o colombiano de Fortaleza (CE) até Barretos (SP). Dali Abadía rumou para Curitiba (PR), onde morou até se mudar para Porto Alegre (RS). Há oito meses,vivia na Grande São Paulo.Foi no Paraná que a PF detectou Abadía pela primeira vez. Um avião acidentou-se no aeroporto Bacacheri, em Curitiba, em 2004, sem que ninguém se ferisse. O caso passaria despercebido se dentro do bimotor não tivesse sido achada uma grande quantia em dinheiro. Isso levou os homens chefiados pelos delegados Fernando Franceschini e Jaber Saadi a investigar.Em abril de 2005, os federais descobririam que o bando se preparava para trazer maconha e cocaína para o Brasil. Às 10h30 do dia 18, o Piper Azteca de Costa decolou de Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai. Detectado pelo Cindacta-2 (Curitiba), o avião deixou o espaço aéreo brasileiro para escapar da Lei do Abate e foi até o Uruguai.Ali foram jogados 500 kg de maconha e 30 kg de cocaína. Em seguida, o avião voltou ao Brasil e pousou numa pista em Santana do Livramento (RS). Costa foi surpreendido pela presença de federais e policiais militares. Assustado, taxiou em direção à cabeceira. Nesse momento, descia em sentido contrário um avião da Brigada Militar. Os policiais atiraram no Azteca para impedir a fuga, o que poria em risco o avião da brigada. Costa foi morto com dois tiros. O avião, que estava no ar, caiu, mas não explodiu. Na queda, o co-piloto Lauter Veroni Rejensk feriu uma costela e o pé.Após esse episódio, a PF rastreou três outros aviões usados pelo cartel no Brasil. Um passou por manutenção em São Paulo - o grupo cogitou montar uma empresa de táxi aéreo como fachada para negócios. Os papéis em poder da procuradora da República Karen Kahn mostram que, embora nenhum quilo de droga ter sido apreendido no Brasil, o grupo lavava o dinheiro do tráfico no País.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.