PF mudou inquérito após reportagens, diz ex-secretário

Tuma Júnior acusa polícia de ter mudado rumo das investigações depois de matérias publicadas pelo 'Estado'

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Alvo da Polícia Federal, o ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Júnior afirmou ontem que a PF "cometeu arbitrariedades" e que o delegado encarregado do inquérito "mentiu" para envolvê-lo com a suposta máfia chinesa.

"Eu não fui investigado, indiciado ou muito menos denunciado, mas ele mudou o rumo do inquérito depois que o jornal publicou as primeiras matérias", afirmou, referindo-se ao Estado. Tuma Júnior sustenta que a suspeita contra ele já estava até arquivada.

Pela assessoria, a PF informou que não vai responder à acusação porque a instituição tem por norma não comentar fatos sob investigação. Informou também que o inquérito contra Tuma Júnior prosseguirá de forma isenta, sem qualquer tipo de motivação para proteger ou beneficiar acusados por seu cargo ou vínculo político.

Inquérito. No inquérito, ele é investigado por suspeita de corrupção passiva, advocacia administrativa e formação de quadrilha, crimes que, cumulativamente, somam mais de 12 anos de prisão.

O ex-secretário, porém, sustenta que foi vítima de conspiração comandada por mafiosos de grande poder, acomodados até dentro do governo. "Estou sendo vítima do crime organizado, da verdadeira máfia, a qual combato há mais de 30 anos." Ele descreveu como age essa suposta máfia: "Quando não consegue matar o inimigo, tenta desqualificar a testemunha. No terceiro momento, parte para desmoralizar o responsável pelo combate, usando de recursos sujos como esse de que estou sendo vítima".

Indagado quem eram os operadores da máfia no governo, ele deu uma resposta indireta: "A gente tem de parar de hipocrisia, essa verdade virá em breve à tona, cada um que responda pelo seu lado." Ele garantiu ser inocente. "Não havia prova, nem perícia, nem inquérito contra mim", observou. "Nem na ditadura havia isso", criticou. "É o preço que a gente paga por combater o crime organizado. Foi uma injustiça monstruosa."

Ao final do dia, por nota, Tuma Júnior voltou a insistir na tese conspiratória. "Há mais de 30 anos tenho combatido incansavelmente interesses espúrios, que exercem pressões, como as que levaram à divulgação criminosa e distorcida de fatos fora de contexto."

Referindo-se à operação da PF que desarticulou a quadrilha comandada por Paulo Li, ele afirmou que "os fatos divulgados pela mídia eram desde há muito de conhecimento" dos meus superiores hierárquicos. Também disse que já prestou os esclarecimentos solicitados junto àqueles que, "com isenção e imparcialidade", poderão avaliá-los e julgá-los.

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