PF não descarta indiciar operadores

Os delegados que investigam o acidente do jato Legacy com o Boeing da Gol não descartaram a possibilidade de indiciar controladores de vôo no inquérito sobre a tragédia. Após formalizar a acusação contra os pilotos americanos do jato, Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, o delegado Ramon Almeida da Silva, da Polícia Federal, disse que, ?se houver prova de que outras condutas tenham contribuído para o acidente, seus autores também serão indiciados?.Os controladores responsáveis pelos acompanhamento dos vôos do Boeing e do Legacy já foram ouvidos pela PF. O delegado afirmou que encaminhará o inquérito do caso à Justiça Federal de Sinop (MT) na quarta-feira, com um pedido de novo prazo para o ?prosseguimento das investigações?. Ou seja, para a PF, o indiciamento dos americanos não encerra o inquérito sobre o maior acidente da história da aviação brasileira.ZIGUEZAGUEQuando deixaram a sede da PF rumo ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, os pilotos entraram numa van com placas do Consulado dos Estados Unidos. O que se seguiu parecia cena de cinema. A uma velocidade média de 100 quilômetros por hora (chegando a até 130 km/h), a van foi ziguezagueando entre os veículos na Marginal do Tietê. Na perseguição da imprensa ao veículo, duas motocicletas colidiram. A van entrou pelo Portão 3, ala vip de Cumbica à qual só se tem acesso com permissão da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), deixando para trás os repórteres. O portão foi fechado e seis cavalos com homens da Polícia Militar fizeram uma barreira, para impedir qualquer tipo de invasão.O vôo que levou os pilotos aos Estados Unidos tinha permissão para sair entre 10 horas e, no máximo, 15h30, sujeito a multa pelo atraso. De acordo com a PF, o pedido foi feito anteontem pelo consulado americano em São Paulo. A Infraero informou que esse tipo de procedimento é restrito, adotado principalmente quando existe a intervenção de outro governo.Lepore e Paladino ainda passaram pelas revistas, em estrutura improvisada no local de embarque, da Anvisa, Receita e Polícia Federais. A revista, mesmo para executivos, em geral não é realizada fora do saguão.Isso foi feito para evitar que os pilotos tivessem acesso à área comum, onde haveria outros passageiros.PARENTESA família de Lepore aguardava-o ansiosa em casa em Bay Shore, Long Island, Nova York. ?Estou muito feliz. Ele é o meu bebê?, disse a mãe do piloto, Anna. O irmão mais novo, Michael Lepore, de 37anos, garantiu que Joseph é inocente. Ao tablóide local Daily News, ele disse que o irmão ?não viu nada além de uma sombra e depois ?bum?. Na hora, eles nem sabiam o que tinha batido neles.?Colaborou Camila Viegas-Lee Especial Para o Estado

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