PF nega que notas de guarani tenham sido roubadas no litoral

A Polícia Federal (PF) de Santos negou nesta quarta-feira, 1º, que já seja possível afirmar que as notas de guarani (moeda paraguaia) apreendidas pela Polícia Civil no Guarujá, na semana passada, faziam parte do carregamento da moeda que desapareceu do navio de bandeira alemã "Aliança Mauá".A suspeita surgiu pelo fato de um carregamento com 12,5 bilhões de guaranis (US$ 2,3 milhões) ter desaparecido de um contêiner transportado pelo "Aliança Mauá", que coincidentemente foi invadido por piratas enquanto esteve atracado no cais santista, em 5 de outubro.A assessoria de imprensa da Delegacia de Roubo a Banco de São Paulo, que apreendeu as notas, afirmou que a apreensão no Guarujá aconteceu por conta de uma outra investigação, relacionada ao crime organizado.A Polícia Civil não quis dar mais informações e disse apenas que as notas estavam com um comerciante que não sabia da procedência do dinheiro. A assessoria disse também que o processo foi encaminhado à PF, por causa do desaparecimento do carregamento paraguaio.Em Santos, a PF esclareceu em nota que o navio "Aliança Mauá" foi realmente invadido por piratas no porto da cidade na madrugada do dia 5 de outubro e que foi instaurado inquérito policial - que tramita em sigilo - para se averiguar o caso. Porém, a polícia nega que o roubo de guaranis tenha acontecido em Santos.A PF argumenta que o contêiner que transportava a carga do BC paraguaio não foi relacionado entre os contêineres violados pelos piratas, de acordo com o comandante do navio e a perícia realizada por agentes federais."Foram violados 13 contêineres lacrados e apenas três tinham mercadorias transportáveis por seres humanos. Um contêiner tinha rolamentos, o outro mobiliário de uma mudança e o terceiro, bicicletas e panelas. Os demais estavam vazios ou tinham objetos que pesavam toneladas como bobinas de papel", disse o delegado Antonio Hadano, da Comunicação Social da PF.Hadano se mostrou surpreso pelo fato de terem sido levantadas suspeitas de que as notas encontradas no Guarujá fizessem parte do carregamento roubado. "Não tem como ninguém afirmar isso, nem a Polícia Civil, pois o processo onde consta o número da série dessas notas corre em sigilo na PF de Santos".O "Aliança Mauá" partiu de Le Havre, na França, em 22 de setembro, transportando, entre outras mercadorias, 200 caixas, cada uma com 50 mil notas de 50 mil guaranis. As cédulas foram impressas por uma empresa francesa que venceu licitação do Banco Central Paraguaio. No trajeto, além de Santos, o navio fez escalas nos porto de Itaguaí (RJ), Paranaguá (PR), Buenos Aires, na Argentina, e Montevidéu, no Uruguai, onde o carregamento foi transportado para um cargueiro que seguiu viagem fluvial até Assunção.Apenas ao ser atracado, em Assunção, percebeu-se a ausência de cinco caixas. O curioso foi que contêiner estava lacrado, porém com um lacre diferente do colocado na França.Na sexta-feira, 27 de outubro, o governo paraguaio pediu que a PF brasileira se empenhasse nas investigações do roubo. O cônsul do Paraguai em São Paulo, Hernando Arteta, disse que o apoio da PF foi solicitado através do Itamaraty. O diplomata disse ainda que a justiça paraguaia fez apelos similares às polícias argentina e uruguaia, pelo fato de o "Aliança Mauá" ter atracado também em portos desses países. Arteta passou a acompanhar o caso a partir do momento que notas de guarani foram apreendidas em São Paulo.O cônsul paraguaio de Santos, Carlos Gamarra, afirmou que já pediu à PF da cidade um pronunciamento oficial sobre as investigações, principalmente ao que se refere ao roubo dos piratas ao navio. "A polícia me informou que emitiria informações oficiais o mais brevemente possível e agora estou aguardando", disse Gamarra.

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