PF oferece delação premiada, mas presos do PCC recusam

A Polícia Federal ofereceu a alguns integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), presos em Porto Alegre, os benefícios da delação premiada, com redução de pena, para obter mais informações sobre os planos e as ramificações da organização. A informação foi confirmada nesta segunda-feira, 4, pelo delegado Ildo Gasparetto, que comanda as investigações na capital gaúcha. "Mas ninguém aceitou", revelou o policial.Depois de prender, na sexta-feira, os 26 participantes de uma operação do PCC que tentava chegar ao cofre da sede do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) e de uma agência da Caixa Econômica Federal escavando um túnel, a Polícia Federal procura saber agora quais as ramificações que o grupo tinha no Estado.Um dos passos da investigação será ouvir funcionários dos dois bancos em busca de pistas sobre possíveis cúmplices do roubo que foi evitado. "Não há dúvida de que o grupo conhecia o roteiro da escavação", ressalta Gasparetto. Falta descobrir como o PCC obteve informações sobre localização dos cofres e sistema de alarme dos bancos.Uma das etapas da investigação foi concluída nesta segunda-feira, quando a Polícia Federal localizou o final do túnel sob o piso de um prédio usado como garagem pelo Banco do Brasil, diante do Banrisul, no outro lado da rua Caldas Júnior. Os policiais descartam que as instalações do Banco do Brasil estivessem entre os alvos do bando porque não continham depósitos para dinheiro, apenas serviam de apoio para os veículos que transportam cheques.A descoberta do ponto ao qual o grupo havia chegado foi auxiliada por quatro técnicos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que usaram um aparelho de sondagem por reflexão de ondas magnéticas para detectar a parte oca sob o solo. Ele revelou que o túnel já havia avançado 90 metros e não 80 metros como acreditava a polícia na sexta-feira.Da posição em que estavam, próxima ao Banrisul, os escavadores tinham condições de fazer uma bifurcação em direção à agência da Caixa Econômica Federal. Mas não há convicção entre os policiais de que o plano incluísse o segundo banco, porque o roubo estava programado para os dias 7 ou 20 de setembro e a escavação, de mais 90 metros, levaria mais dois meses se prosseguisse na velocidade do túnel já aberto. Logo que os peritos emitirem seus laudos, o túnel será tapado com terra, areia e cimento, anunciou Gasparetto. O trabalho deve começar nesta semana.Os 26 presos pela Operação Facção Toupeira no Rio Grande do Sul permanecem na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas. A Polícia Federal aguarda a decisão da Justiça para saber para onde enviar o grupo. É possível que uma parte siga para Fortaleza e outra para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná.

Agencia Estado,

04 de setembro de 2006 | 20h11

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