PF ouve controladores que trabalharam no dia do acidente

O delegado da Polícia Federal (PF), Rubens José Maleiner, está ouvindo nesta quarta-feira, 22, os depoimentos de mais quatro controladores de vôo que trabalharam no dia do acidente com o Boeing da Gol que se chocou com o jato Legacy, em Mato Grosso, em 29 de setembro, causando a morte de 154 pessoas. Os nomes não estão sendo divulgados para proteger os controladores de eventuais retaliações por parte dos familiares das vítimas. Na quinta-feira, serão ouvidos os dois últimos controladores.A PF considera esta quarta-feira o dia D da série de depoimentos, com o interrogatório dos quatro controladores que monitoravam o Legacy desde sua aproximação e passagem pelo espaço aéreo de Brasília, até o choque com o Boeing. Um dos que irão depor nesta quarta-feira teria passado ao substituto, segundo apurou a Aeronáutica, a informação falsa de que o Legacy voava a 36 mil pés, quando na verdade estava a 37 mil pés, mesma altitude em que vinha o avião da Gol em sentido contrário, procedente de Manaus.Quando percebeu a gravidade do erro, esse segundo controlador, de codinome T, passou a fazer tentativas desesperadas de contato com os pilotos do Legacy, mas não conseguiu por possível falha no sistema de comunicação. Uma fonte da Aeronáutica informou que, ao perceber que chegara o momento presumido da tragédia, T desmaiou e foi socorrido no serviço médico do Cindacta 1. Conforme apurou a Aeronáutica, os controladores de Brasília fizeram, por meia hora, sete tentativas de contato com os pilotos do Legacy, que por sua vez tentaram 13 vezes falar com a torre. Mas as tentativas foram tardias e não se concretizaram por provável falha no sistema de comunicação do aparelho.Na terça, a PF ouviu mais três controladores, de um total de 13 que estavam de serviço nas torres de São José dos Campos e de Brasília no dia do acidente, o maior da aviação brasileira. A PF informou que eles estavam muito tensos e abalados, o que retardou o interrogatório. Maleiner, que é piloto e perito em investigações de acidentes aéreos, está ouvindo os controladores pela ordem cronológica do acidente. União já prepara defesaLogo após o Comando da Aeronáutica admitir, durante audiência no Senado na terça-feira, a possibilidade de ter havido falhas de controladores de vôo no choque entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, a Advocacia Geral da União decidiu acompanhar de perto o processo de investigação que vai identificar os verdadeiros culpados pela tragédia. Com a entrada da União na história, o governo brasileiro passa a fazer parte do processo litigioso da investigação e poderá até, caso fique comprovada a responsabilidade dos controladores, ser alvo de ações de indenização, juntamente com a ExcelAire, empresa americana que comprou o Legacy da Embraer.O advogado Sérgio de Freitas Tapety e o consultor Cleso José da Fonseca terão a missão de avaliar o grau de culpa dos controladores no caso e subsidiar a defesa da União. Falhas no controle aéreoAs falhas que possam ter sido cometidas pelo controle aéreo brasileiro no caso do acidente com o vôo 1907 da Gol não eximem de responsabilização legal as duas empresas norte-americanas envolvidas no episódio, afirma o advogado Ladd Sange, especialista em direito aeronáutico e representante nos Estados Unidos das famílias de vítimas do acidente.Segundo Sanger, independentemente de ocorrência de outros erros, a falta de comunicação por meio do transponder do Legacy, jato da Embraer, só pode ser explicado de duas maneiras: ou os pilotos não ligaram o equipamento ou, mesmo ligado, ele não funcionou. Caso as investigações confirmem a primeira hipótese, a empresa proprietária do Legacy, a ExelAire, teria de responder pela negligência dos pilotos. Se a segunda possibilidade for comprovada, o fabricante do transponder, a Honeywell, seria responsável

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