PF ouve mais três acusados na máfia dos caça-níqueis

A Polícia Federal ouve nesta sexta-feira o depoimento de mais três presos da Operação Hurricane, deflagrada no dia 13 de abril, investigados pelo suposto envolvimento em um esquema de compra de sentenças e exploração de jogos ilegais. José Renato Granado Ferreira e Paulo Roberto Ferreira Lino, dirigentes da Associação de Bingos do Rio, e o contraventor Júlio Guimarães Sobreira, sobrinho de Aílton Guimarães Jorge, irão depôr a partir das 13 horas. Na quinta-feira, a PF transferiu de Brasília para o Rio 17 dos 21 ainda presos pela operação, e ouviu os três primeiros depoimentos. O primeiro a falar foi o presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio (Liesa), Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães. Em seguida, foram ouvidos Anísio Abraão David e Antônio Petrus Kalil, o ´Turcão´. Eles negaram as acusações que os levaram à prisão. Os advogados de Anísio e de Guimarães entraram com pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal e pediram à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Criminal Federal do Rio, que reveja a decisão de transferir seus clientes para o presídio federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, depois daquela data. Segundo os advogados de Guimarães e Anísio, os três deram depoimentos semelhantes, argumentando não conhecer os magistrados envolvidos no suposto esquema de compra de sentenças. Eles admitiram a contravenção no passado, mas negaram explorar jogos hoje. Anísio disse que apenas aluga um imóvel em Copacabana para um bingo. Em seu interrogatório, o bicheiro Turcão ressaltou que não tem bingos nem caça-níqueis e ?trabalha com sua creche?. A pedido da PF, a Interpol começa nesta sexta uma busca em 186 países pelo foragido Marcelo Kalil, filho de Turcão. Ele é acusado de ser tesoureiro da organização que negociava a compra de sentenças judiciais. Os presos permanecerão no Rio até o final dos depoimentos, em 7 de maio. Não foram levados ao Rio os policiais federais Carlos Pereira da Silva, Susie Pinheiro Mattos, o agente administrativo da PF Francisco Martins da Silva e o policial civil Marcos Antônio Bretas. Como funcionários públicos, eles têm direito a apresentar defesa prévia antes que sejam considerados réus no processo. Entre os presos pela operação, estão bicheiros, delegados e magistrados acusados de integrar uma suposta quadrilha que teria praticado crimes como corrupção, tráfico de influência e envolvimento com jogos ilegais. Três dos presos por envolvimento no esquema já foram soltos pela Polícia Federal por determinação do Supremo Tribunal Federal. Os desembargadores federais José Eduardo Carreira Alvim e José Renato Ricardo de Siqueira Regueira e o juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região Ernesto da Luz Pinto Dória. Além deles, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Medina, também investigado, não chegou a ser preso.

Agencia Estado,

27 Abril 2007 | 09h27

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