PF pede quebra de sigilo de mais 500 linhas para rastrear R$ 1,75 milhão

A Polícia Federal pediu à Justiça de Mato Grosso a quebra do sigilo de mais 500 linhas telefônicas, fixas e móveis, identificadas na investigação sobre o dossiê Vedoin, contra políticos tucanos, pelo qual o PT iria pagar R$ 1, 75 milhão às vésperas do primeiro turno das eleições.De acordo com o publicado nesta segunda-feira, 9, pelo jornal O Estado de S. Paulo, a PF considera fundamental a medida porque acredita que o caminho mais curto para chegar à origem do dinheiro é pela localização de contatos que ex-dirigentes petistas teriam feito com instituições financeiras, casas de câmbio e doleiros para amealhar o dinheiro.O rastreamento do Banco Central e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) é lento, burocrático e não tem objetividade, na avaliação de investigadores do caso.A PF constatou que só nas agências do Bradesco em São Paulo foram registrados, nos 20 dias que antecederam a descoberta do golpe, 200 mil saques de até R$ 10 mil cada.O novo pedido da PF está sobre a mesa do juiz Jefferson Schneider, da 2.ª Vara Federal de Cuiabá, que conduz o processo sobre a rede de sanguessugas, organização criminosa que desfalcou o Tesouro em R$ 110 milhões com a venda de ambulâncias superfaturadas.Há duas semanas, a Justiça já havia autorizado o acesso a dados relativos a 70 linhas telefônicas. A PF chegou aos outros 500 números a partir da análise dos extratos com chamadas recebidas e realizadas por sete quadros do PT ligados à trama.Estão sob investigação Expedito Veloso (ex-diretor de Análise de Risco do Banco do Brasil), Jorge Lorenzetti (churrasqueiro do presidente Lula e araponga do PT), Oswaldo Bargas (ex-diretor do Ministério do Trabalho), Freud Godoy (ex-guarda-costas presidencial), Valdebran Padilha (ex-arrecadador de campanhas do partido), Gedimar Passos (ex-agente da PF) e Hamilton Lacerda (ex-coordenador da campanha de Aloizio Mercadante ao governo).ProgramaO setor de inteligência da PF armazenou no projeto X, sofisticado programa de computador, as informações contidas no histórico de comunicações telefônicas dos petistas. A análise das planilhas aponta que, de 15 de agosto a 15 de setembro, os sete que estão na mira da PF mantiveram contato com 500 números. Eles fizeram uso de várias linhas. Lacerda, por exemplo, utilizou quatro celulares.A PF avalia que a ampliação do rastreamento não vai jogar no marasmo a investigação. Ao contrário, considera importante a medida porque os suspeitos não estão colaborando. Ora apresentam uma versão inverossímil, ora silenciam.Lacerda, por exemplo, declarou formalmente que levava um notebook e boletos de doação de campanha do PT na mala que entregou a Gedimar Passos em um hotel em São Paulo. O relato do ex-coordenador da campanha de Mercadante foi logo desmascarado. Valdebran revelou que Lacerda levou dinheiro vivo a Gedimar.A estratégia que os investigadores consideram adequada é promover no computador o cruzamento de informações dos documentos telefônicos com as planilhas de movimentação bancária. "É como buscar uma agulha no palheiro", reconhece o delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiê. Ele pretende concluir a apuração até uma semana antes do segundo turno das eleições.

Agencia Estado,

09 de outubro de 2006 | 07h43

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