PF prende 14 por ?importar? chineses

Quadrilha é acusada de tráfico humano e de submeter estrangeiros a trabalho escravo em fábricas clandestinas

Renato Machado e Vannildo Mendes, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 00h00

A Polícia Federal prendeu ontem 14 pessoas acusadas de integrar quadrilha que introduzia chineses ilegalmente no País para atuar em condições análogas à escravidão. A Operação Da Shan foi desencadeada em Rondônia, Pernambuco e São Paulo para o cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão. Na capital paulista, foi preso o acusado de ser o líder do bando, o chinês Zhu Ming Wen, o Tony.Segundo a PF, Tony vive no Brasil há mais de dez anos e tem visto de permanência. Em sua residência, os agentes encontraram R$ 124 mil, US$ 5 mil, três automóveis importados e equipamentos para falsificação de vistos. Foram também apreendidas duas notificações emitidas pela PF a dois chineses, determinando que eles deixassem o País, indício de que Tony controlava a vida deles.Também em São Paulo, foi preso outro cidadão chinês, conhecido como Luís, que seria o principal colaborador de Tony. As outras prisões foram todas em Rondônia - dez em Porto Velho e duas em Guajará-Mirim. Dois outros operadores do grupo moram fora do País e estão foragidos. A PF pediu ajuda à Interpol para capturá-los. A investigação começou em 2008 após a prisão de três chineses, com vistos falsos, que tentavam embarcar do aeroporto de Porto Velho para São Paulo. As autoridades detectaram um forte movimento de entrada de chineses no Brasil pela fronteira com o Peru e a Bolívia, informou o delegado Jones Ferreira Leite, superintendente da PF em Rondônia. Desde o fim de 2008, 30 chineses foram presos quando entravam no Brasil pela rota de Rondônia.Segundo a PF, o destino preferido dos imigrantes chineses é São Paulo, onde atuam em fábricas clandestinas e recebem baixos salários. Eles recebem ajuda de coiotes contratados pelo esquema. A rota passa por Holanda, Equador, Peru e Bolívia - até chegar ao Brasil. "Muitos tinham consciência das condições sub-humanas, mas as aceitavam porque achavam que no seu país era pior", disse o delegado. Os acusados podem ser condenados a 11 anos de prisão.

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