PF prende 36 acusados de seqüestros em três Estados

Dez meses de investigação foram necessários para a Polícia Federal desarticular uma organização criminosa formada por policiais civis e federais, advogados e bandidos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo é acusado de aplicar golpes e seqüestrar empresários e fazendeiros, além de torturar suas vítimas, nesta quinta-feira, 26. Ao todo, 36 pessoas foram presas em 48 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em três Estados - São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Alvo da Operação Oeste, uma referência a região do Estado de São Paulo em que a quadrilha se concentrava, a organização criminosa lucrava cerca de R$ 600 mil por mês só com seqüestros. As vítimas pagavam de R$ 40 mil a R$ 250 mil de resgate. Elas eram atraídas com a promessa de venda de máquinas agrícolas a preços abaixo dos de mercado. Vinham de Estados como Pará e Rio Grande do Sul. Os empresários quando chegavam eram levados para a zona rural onde estariam as máquinas. No caminho eram algemados, colocados no porta-malas de carros e conduzidos para chácaras onde eram torturados. ?A quadrilha queria saber quanto a vítima podia pagar?, disse o delegado Júlio Baida, que coordenou a ação da PF. Durante o cativeiro, os bandidos obrigavam o empresário telefonar para família ou empresa. ?Obrigavam a vítima a dizer que o negócio era bom.? Sem saber do seqüestro, as famílias ou empresas autorizaram os pagamentos que eram depositadas em contas correntes usadas pelo bando. A PF sabe de pelo menos 15 seqüestros feitos pela organização e desconfia que esse número é muito maior. Somente em 11 de abril, quatro vítimas do bando foram libertadas de dois cativeiros diferentes por policiais militares que receberam informações da PF. Duas das vítimas estavam em um sítio na cidade de Brodósqui e as outras duas em Rincão. Nas chácaras foram presos seis seqüestradores. Durante as investigações, a PF descobriu que dois dos seus agentes participavam, em companhia de integrantes do bando, de um golpe contra empresários conhecido como três por um. Atraídos por um câmbio favorável, as vítimas eram induzidas a trocar dólares por reais no interior de São Paulo. Os agentes federais da Delegacia de Marília simulavam a apreensão dos dólares e ficavam com parte do dinheiro. Outro agente da PF foi acusado de vender acusações sobre operações do órgão e um quarto foi preso por corrupção na fiscalização de empresas de segurança. Dois policiais civis também foram presos porque estavam ?vendendo proteção para os seqüestradores?. Todos os acusados tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça Federal. Eles foram detidos em 10 cidades de São Paulo, uma de Minas e outra do Paraná. Operação contra o tráfico A PF realizou operação integrada em quatro Estados contra um esquema de tráfico internacional de cocaína e maconha. Ao todo, 16 pessoas foram presas no Acre, Paraíba, Rio Grande do Norte e Goiás na ofensiva da PF, que chamou a operação de Terra do Sol. Foi apreendida 1 tonelada de maconha e 150 quilos de cocaína, além da prisão de 30 pessoas.

Agencia Estado,

26 Abril 2007 | 20h54

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