Divulgação/PF
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PF prende 51 em operação contra pedofilia na Deep Web

Pela primeira vez na América latina, investigação buscou criminosos na área restrita da internet; suspeitos foram presos em 18 estados 

Elder Oligari, O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2014 | 19h37

Atualizada às 22h31

PORTO ALEGRE - A Polícia Federal prendeu 51 pessoas durante a Operação Darknet, de combate à pedofilia, em 18 Estados e no Distrito Federal, nesta quarta-feira. 15. Outras quatro haviam sido presas ao longo da investigação, que começou em Porto Alegre, há cerca de um ano. Pelo menos cinco países - Portugal, Itália, Colômbia, México e Venezuela - foram avisados de que há suspeitos de conexões com a mesma rede em seus territórios.

A investigação chegou à chamada deep web, uma área da internet que não é rastreada pelos navegadores comuns, na qual estão, entre outros, sites de intranet de empresas e corporações. A rede de pedofilia descoberta aproveitava a possibilidade de exibir e acessar imagens e trocar informações às escondidas nesse ambiente que também é conhecido como “internet invisível”.

Foi a primeira vez que uma investigação feita na América Latina chegou à prática de crimes na deep web, algo que só havia ocorrido nos Estados Unidos e na Inglaterra. Para isso, a própria Polícia Federal teve de desenvolver ferramentas adequadas. “Apesar da triste realidade de encontrarmos tantos abusadores, também é uma conquista para a sociedade a possibilidade de podermos investigar esses crimes”, disse a delegada Diana Calazans Mann.

Pelo País. A Polícia Federal não divulgou informações como nome dos presos, circunstâncias, local e o que se atribuiu a cada um. Confirmou apenas que 500 policiais saíram para cumprir 93 mandados de busca, de prisão e de condução coercitiva no Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

A maioria das prisões foi efetuada em flagrante e entre os presos estão pelo menos um funcionário de uma secretaria estadual de segurança, um policial militar, um seminarista e empresários. Policiais que participaram da operação disseram que não há um perfil definido dos pedófilos, que são de diversas classes sociais e profissões.

Indignação. Em entrevista coletiva, a delegada Diana, o superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, Sandro Caron, o delegado Rafael França e o agente Luiz Walmocyr demonstraram revolta.

Sem entrar em detalhes, os policiais revelaram que durante a investigação seis crianças foram resgatadas de situações de abuso ou de iminente estupro. Uma das prisões feitas há alguns meses, em Minas Gerais, foi de um homem que admitiu que iria abusar da filha logo que ela nascesse.

“Quando se fala em produção de pornografia infantil estamos falando de abuso sexual”, destacou Diana. “Não há pornografia infantil sem abuso, uma criança foi abusada para que se produzisse o material pornográfico.” Entre os abusadores estão pessoas do núcleo familiar das vítimas. Alguns não se limitam a receber e compartilhar material, mas também gravam cenas de suas vítimas e distribuem para seus contatos.

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