PF prende 53 pessoas envolvidas em golpes pela internet

A Polícia Federal prendeu hoje 53 galácticos em Imperatriz, no Maranhão. Eles, que se consideram estrelas e por isso receberam o apelido e que dá o nome à operação, são acusados de aplicar golpes pela internet. Conseguiam, por meio da web, senha de correntistas de diversos bancos e sacavam o dinheiro. As vítimas estão espalhadas por todo o Brasil, segundo a polícia. Esta é a maior operação já realizada no Estado pela PF.A operação, desenvolvida por 400 policiais de oito Estados do Norte e Nordeste, continua até o fim de semana para tentar cumprir todos os 70 mandados de prisão - 25 são preventivas e 45, temporárias. Ontem mesmo, a PF realizou todos os 80 mandados de busca e apreensão previstos. De acordo com o delegado da PF em Imperatriz, Pedro Roberto Meireles Gopes, foram apreendidos carros, motos, computadores, material de contabilidade e até televisores.Gopes explicou que os bandidos faziam transferência de valores para contas de laranjas, mas houve na cidade uma diminuição do montante de R$ 1 mil para R$ 500 para saques nos bancos por causa da quantidade de golpes que vinham sendo aplicados. Com isso, eles mudaram o esquema da fraude: passaram a fazer parcerias com empresas do município, por meio das quais faziam compras fictícias com cartão de débito. Por exemplo: compravam R$ 1 mil em pizzas, mas na verdade era só para conseguir lavar o dinheiro.De acordo com Gopes, as compras com cartões de débito são uma novidade desenvolvida pela quadrilha, já que os outros tipos de golpes, como as transferências bancárias, são mais usados por hackers.Investigação em empresasAs empresas de Imperatriz também são investigadas. Nenhum empresário foi preso na ação, apenas documentos e materiais de escritórios foram apreendidos. Gopes disse que os comerciantes recebiam parte dos valores desviados para entrar no esquema. Além do pagamento online, elas também emitiam boletos bancários fraudulentos.Os presos serão indiciados pelos crimes de furto mediante fraude, formação de quadrilha, violação de sigilo bancário, interceptação telemática ilegal e lavagem de dinheiro.A investigação começou em janeiro deste ano, mas o inquérito foi aberto em dezembro de 2004. Todo o esquema foi descoberto pela inteligência da PF. A polícia não informou quanto os presos conseguiram levantar com os golpes.Como funcionavaSegundo o delegado, os criminosos enviavam um vírus para o correntista e quando este acessava a página do banco na internet, tinha todos os seus dados enviados para o hacker. A maioria das vítimas tinha conta na Caixa Econômica Federal. Os programas dos hackers eram distribuídos por spam (envio de e-mail a várias pessoas de uma vez só) ou por sites de relacionamento, como o Orkut.Além das transferências bancárias, os bandidos faziam compras pela internet e pagamentos de boletos bancários. A operação teve também ajuda do Exército, com apoio logístico e operacional.Matéria atualizada às 20h47

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