PF prende 9 por espalhar R$ 2,2 mi em notas falsas

Cédulas forjadas eram distribuídas a guardadores de carro, comerciantes, donos de bingo, cambistas e traficantes; quadrilha agia em seis Estados

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2008 | 00h00

A Polícia Federal (PF) prendeu nove acusados de participar de uma quadrilha de falsários responsável por derramar, nos últimos nove meses, cerca de R$ 2,2 milhões (R$ 250 mil por mês) em notas falsas de R$ 5 a R$ 100. O bando agia em seis Estados e fornecia as notas para guardadores de carros, cambistas, bingos clandestinos, traficantes de droga e comerciantes. A Justiça Federal havia decretado a prisão de 11 acusados e concedido 70 mandados de buscas e apreensão, dos quais 22 em São Paulo."Conseguimos prender os dois líderes da quadrilha", afirmou o delegado Diógenes Peres de Souza, da Delegacia de Crimes Fazendários, da PF em São Paulo. Um dos acusados de liderar a quadrilha, conhecido como Abel, havia sido preso por tráfico de drogas pela PF. O outro homem foi detido ontem em São Paulo.Os agentes encontraram ainda três gráficas usadas para falsificar as notas - uma no centro de São Paulo e outras duas em cidades da região metropolitana. "As notas eram de boa qualidade. Os criminosos conseguiam fazer a marca d?água, a fita de segurança e reproduziam até mesmo o relevo do papel moeda", contou o delegado.Segundo ele, a quadrilha era bastante hierarquizada. Os chefes encomendavam as cédulas em três gráficas, providenciavam a matéria-prima e, depois, entregavam pacotes da mercadoria para sete grandes distribuidores. Estes usavam dezenas de pessoas para pulverizar o dinheiro no mercado. Os chefes trocavam o dinheiro na proporção de cinco notas falsas para uma verdadeira. Depois, repartiam o lucros entre os diversos integrantes do bando.A PF havia ainda pedido a prisão de outros 12 acusados, mas o juiz Alexandre Cassetari, da 4ª Vara Federal de São Paulo, negou. Ele entendeu que a prisão temporária dos acusados não havia sido demonstrada como imprescindível às investigações do caso. Além de atuar em São Paulo, o grupo agia ainda em Alagoas, Amazonas, Rio Grande do Norte, Minas e Rio. Havia nove meses que a PF investigava a quadrilha, desde que foi detectado um derrame de notas falsas no Paraná.Durante as buscas, os federais apreenderam computadores, impressoras e matrizes usadas para a impressão das cédulas. Em Manaus (AM), foram encontrados R$ 40 mil em cédulas falsas e, em São Paulo, 1.600 cédulas em folhas recém-impressas. "Essa quadrilha atuava havia anos", afirmou o delegado.Interceptações telefônicas iniciadas em dezembro de 2007 mostraram o grupo encomendando instrumentos para a falsificação das cédulas. Isso levou o juiz Cassetari, em sua decisão, a afirmar que "há fortes indícios de efetiva existência de uma quadrilha em que os membros estão associados há mais de um ano, agindo com a aquisição de matéria-prima e equipamentos para a falsificação de cédulas de reais". Cassetari decretou sigilo nos autos.Integrantes dessa quadrilha haviam sido investigados há quatro anos, quando outro grupo de falsários, que agia na zona sul de São Paulo, foi desbaratado.

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