Polícia Civil
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PF prende em Cumbica mulher de um dos líderes da facção Família do Norte

Sheila Peres é suspeita de ter se envolvido no planejamento do massacre que deixou 55 mortos em presídios do Amazonas em maio

Felipe Cordeiro, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2019 | 09h37
Atualizado 12 de julho de 2019 | 11h26

SÃO PAULO - A Polícia Federal prendeu na quarta-feira, 10, Sheila Maria Faustino Peres, suspeita de ter se envolvido no planejamento do massacre que deixou 55 detentos mortos em presídios de Manaus, em maio. Sheila foi detida no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, e é casada com João Pinto Carioca, o João Branco, considerado um dos líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN).

A Polícia Federal cumpriu um mandado de prisão contra Sheila expedido pela Justiça do Amazonas. Ela tentava embarcar para Barcelona, na Espanha, quando foi detida no momento em que realizava os procedimentos migratórios. A PF informou na manhã desta sexta-feira, 12, que a suspeita embarcou, escoltada por policiais federais, em um voo com destino a Manaus, por volta das 11 horas. 

Em maio, ataques em quatro unidades prisionais do Amazonas deixaram 55 mortos. Autoridades do Estado investigam se o fim de uma aliança entre a FDN e o Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, tem relação com o massacre. As execuções foram causadas por um racha interno, entre duas alas da FDN, e são atribuídas a presos alinhados a Branco contra membros da FDN leais a José Roberto Barbosa, o Zé Roberto da Compensa, outro chefe da facção.

A polícia apura se Branco teria se realinhado ao CV para isolar Compensa da liderança do grupo criminoso, mas ainda não chegou a uma conclusão. Ambos estão em presídios federais. 

A FDN domina o tráfico no Rio Solimões, que abastece as Regiões Norte e Nordeste com cocaína do Peru e da Colômbia. Em 2015, a Polícia Federal identificou que FDN e CV haviam se aliado na região para barrar a expansão do Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, na Amazônia.

A rivalidade entre as três maiores facções criminosas do País - o PCC, de um lado, e a FDN e o CV de outro - é apontada como motivação para a onda de assassinatos nos presídios do Amazonas em 2017, quando houve 56 mortes. Na época, a ofensiva da FDN foi contra detentos do PCC. 

A parceria de CV e da FDN teve fim em 2018 e, segundo o Ministério Público Estadual, as facções se mantêm em briga permanente no Amazonas.

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