PF prende integrante de bando que assaltou BC em Fortaleza

Delegado diz que este era o último apontado como mentor que ainda estava solto; foram levados R$ 164 mi

Solange Spigliatti, Central de Notícias

04 Agosto 2009 | 12h57

Moisés Teixeira da Silva, de 39 anos, conhecido como "Cabelo", foi preso na última sexta-feira, 31, por agentes da Polícia Federal de Brasília, no bairro de Vila Mariana, na zona sul de São Paulo. Silva é apontado como o último dos mentores do roubo milionário ao Banco Central de Fortaleza, no Ceará, que estava em liberdade, segundo o Chefe da Divisão da Repressão a Crimes contra o Patrimônio da Polícia Federal, delegado Antônio Celso dos Santos. O bando levou R$ 164,7 milhões em agosto de 2005.

 

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Segundo o delegado, Silva vinha sendo acompanhado por agentes da PF havia mais de um ano. "Ele usava várias formas para se manter longe da polícia, usando nome falso, chegou a fazer tratamento de pele e até fez implante de cabelo", explica. Há cerca de três meses, os policiais federais intensificaram a vigilância, principalmente com a esposa de Silva, e junto com informações de moradores da região da Vila Marina, onde morava em um prédio de classe média alta, foi possível identificar os veículos usados por ele para despistar a polícia.

 

Segundo o delegado, até mesmo para se encontrar com a esposa, Silva contava com a ajuda de terceiros. A estratégia para a prisão dele começou na quarta-feira, 29. A ação, de acordo com Santos, foi montada na garagem do prédio. Um carro foi colocado atrás do veículo de Silva, e com a ajuda de um funcionário do edifício, que avisou o suspeito sobre uma colisão com seu carro, Silva foi detido.

 

De acordo com Santos, o criminoso era um dos 102 presos que fugiram do extinto Complexo do Carandiru, na zona norte de São Paulo, em 2001. O assaltante foi levado para Brasília, onde aguarda transferência, possivelmente para Fortaleza, mas sem data definida, de acordo com Santos.

 

O roubo

 

O assalto milionário ocorreu num feriado prolongado em agosto de 2005. A perseguição aos bandidos começou com um cartão de telefone pré-pago, esquecido por um dos bandidos no túnel. A quebra do sigilo telefônico permitiu chegar aos números usados pela quadrilha, endereços e nomes.

 

Após três anos de buscas, a Polícia Federal deu por encerrada, em novembro do ano passado, a Operação Toupeira, que investigou a quadrilha responsável pelo roubo de R$ 164,7 milhões do BC em Fortaleza, o maior do Brasil. Dos 36 membros originais da quadrilha, quase todos foram detidos, segundo o delegado. Um dos integrantes ainda está foragido e outros quatro foram mortos.

 

Do dinheiro levado, só cerca de R$ 50 milhões foram recuperados, sendo R$ 19,8 milhões em espécie e pouco mais de R$ 30 milhões em bens como fazendas, mansões, empresas, imóveis diversos, carros, barcos, joias e até títulos de investimento.

 

A PF acredita que outros R$ 30 milhões foram extorquidos por policiais corruptos em diversas partes do País - nove deles já presos. Entre os policiais presos estão cinco de São Paulo - três já soltos para responderem em liberdade - e quatro do Ceará.

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