PF prende líder de esquema de fraudes na importação de carros

Operação Titanic já cumpriu 19 mandados de prisão temporária no Espírito Santo e em São Paulo

Marcelo Auler, de O Estado de S. Paulo,

07 de abril de 2008 | 09h34

A Polícia Federal do Espírito Santo prendeu nesta segunda-feira, 7, o empresário Adriano Scopel, acusado de chefiar, junto com o seu pai, Pedro Scopel, uma quadrilha que fraudava documentos na importação de carros e motos de alto luxo. Ao todo, a PF cumpriu, nesta segunda, 16 mandados de prisão de envolvidos na Operação Titanic, com residência nas cidades de Vitória e Vila Velha (ES). A operação envolve ainda prisões em dois outros Estados, sendo que três delas em São Paulo.   Veja também:   PF faz arrastão contra fraudes na importação de carros de luxo   Adriano Scopel resistiu à prisão e os agentes tiveram que fazer uso de uma marreta para entrar em seu apartamento, no edifício Paládio, na Praia da Costa. Entre as prisões ocorridas na cidade de Vitória, estão a de três auditores da Receita Federal. Entre eles, o casal Max Pimentel de Almeida Marçal e Leisa Cristina Ortega Amaral, que, segundo as investigações, receberam dinheiro da firma chefiada por Adriano Scopel para liberar carros de alto luxo e motos potentes importadas com o valor subfaturado.O terceiro auditor preso é Alberto Oliveira, que, segundo a PF, também estaria envolvido no esquema.   As importações de carros eram realizadas junto a duas empresas estrangeiras que exportavam os veículos e motos com documentos adulterados, reduzindo o preço de venda para conseqüentemente reduzir os impostos a serem pagos no Brasil. Uma delas é a Global Business, do Canadá, chefiada pelo brasileiro Eduardo Sayegh, que estava em São Paulo, onde foi preso. A outra é a americana E&R Logos Companie Inc., cujo proprietário é Clenilson de Farias Dantas. A PF ainda não explicou se há mandado de prisão contra ele.   Também foram presos no ES a contadora Aldeni Avelar Portela Silva, da Zip Assessoria Contábil, que cuidava das fraudes na contabilidade da importadora de veículos Tag, de propriedade da família Scopel. Outro detido foi Jorge de Oliveira, corretor de valores, que fazia as remessas ilegais de numerário para o exterior. Dos empregados ligados à Tag foram presos em Vitória Aguilar de Jesus Bourguignow, uma espécie de gerente da empresa assim como Maurenice Gonzaga de Oliveira. Outro empregado preso foi Rodolfo Beligo Legnaioli.   Na lista de presos estão ainda Alessandro Stockl, proprietário da oficina onde ficavam guardados os carros importados ilegalmente, e Fernando Silva do Couto, um empregado que emprestava o seu nome para lavagem de dinheiro ou de bens adquiridos irregularmente pelo dono da Tag. Há ainda a participação de um brasileiro residente nos EUA que colaborava com a emissão de documentos de exportação de veículos subfaturados.   Pedro e Adriano Scopel detêm 50% da Sociedade de Propósitos Específico que é arrendatária do porto de Vitória. Eles são donos ainda da Tag importadora de veículos, por meio da qual trazem para o Brasil carros e motos de luxo. O esquema combatido pela polícia é relacionado às fraudes nestas importações.   Pai e filho ganharam notoriedade em 2006 ao levarem ao Salão de Automóvel em São Paulo seis carros italianos da marca Lamborghini, que foram apreendidos por estarem em situação irregular. Eles também foram acusados de ter adquirido a lancha que era de propriedade do narcotraficante Juan Carlos Ramires Abadía.   (texto ampliado às 11h28)

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