PF prende policial civil acusado de roubo de cargas

A Polícia Federal (PF) prendeu mais um policial civil, além de outras três pessoas acusadas de envolvimento com a quadrilha no roubo de veículos e cargas desbaratada na terça-feira. Até agora, são 33 pessoas presas, sendo que sete são da Delegacia de Furtoe Roubo de Veículos (DFRV) de Goiás. Durante a noite de ontem e a madrugada de hoje, agentes do Comando de Operações Táticas (COT) da PF ficaram de sobreaviso em pontos estratégicos da superintendência da instituição, em Goiânia, temendo uma represália de policiais civis revoltados com as prisões de colegas.Em Goiânia, a PF conseguiu prender o detetive José Eduardo de Oliveira Braga, enquanto que Person Pacheco foi preso em Rondônia, José Carlos Fuzari em Cachoeiro do Itapemirim (ES) e Júnior César da Silva em Uberlândia (MG). Outras duas pessoas, que também tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal, estão sendo procuradas no Acre. Durante o todo dia a PF ouviu parte dos acusados, mas os depoimentos continuarão até o fim de semana. Cinco pessoas presas em Belo Horizonte e Cuiabá foram transferidas ontem para Goiânia. A ?Operação Carga Pesada?, que estava sendo montada desde janeiro pela PF, foi a maior já realizada até hoje no País para desbaratar uma quadrilha de roubo de carros de luxo, caminhões e cargas. ?Não sabemos ainda o número dos roubos, mas pode chegar a centenas?, afirmou um delegado federal envolvido nas investigações. Segundo ele, há vários depósitos e desmanches de veículos nos seis Estados ? Goiás, Acre, Rondônia, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul ? onde foram feitas as prisões.RetaliaçãoO fato de a PF ter praticamente invadido a DFRV, em Goiânia, para cumprir 52 mandados judiciais de busca e apreensão, causou revolta nos policiais que atuam na delegacia. A maioria deles,incluindo delegados, entregaram seus cargos, mas a ação dos policiais federais recebeu o aval do governador do Estado, Marconi Perillo (PSDB), que sabia da operação havia uma semana. Perillo reforçou que a intenção do governo do Estado é fazer uma depuração na polícia. Talvez por isso uma manifestação de policiais civis, que estava prevista para hoje, foi abortada. Durante a noite de terça-feira e a madrugada de hoje, boatos davam conta de que agentes pretendiam invadir a sede da superintendência da PF na cidade, o que fez com que policiais do COT mantivessem guarda em cima do prédio e em outros locais, com atiradores de elite. Entretanto, até o final da tarde não havia sido registrado nenhum incidente. Além dos seis Estados, a PF espera chegar a outras regiões onde se suspeita haver pessoas que fazem parte do esquema. Uma das investigações está voltada para Tocantins, onde diversos carros roubados foram encontrados em uma locadora.

Agencia Estado,

13 de novembro de 2002 | 18h43

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