PF prende quadrilha que adulterava e contrabandeava combustível

A Polícia Federal desbaratou na madrugada de sábado uma quadrilha sediada em Cuiabá e Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, que adulterava e contrabandeava combustível. Na operação foram presas 12 pessoas, entre elas três agentes da própria PF, um inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), um sargento da Polícia Militar, quatro empresários e uma doleira. O combustível adulterado era distribuído em Mato Grosso e outros Estados, incluindo São Paulo. A operação "Tentáculos" foi desencadeada pela PF há dois meses, mas só foi possível chegar a toda a quadrilha na madrugada de sábado, já que os próprios policiais federais envolvidos no esquema estavam repassando informações sigilosas para os demais integrantes do grupo. Para evitar vazamentos, foram utilizados policiais do Comando de Operações Táticas (COT) e da Coordenação de Inteligência (CI) da PF.DesvioA Polícia Federal ainda não concluiu o levantamento do total de combustível desviado e adulterado, mas cada carreta de transporte de gasolina tinha capacidade de 30 mil a 47 mil litros, e as primeiras investigações indicaram que o lucro obtido pelos contrabandistas era superior a 50% de toda a carga. A gasolina desviada, com alta octanagem - do tipo aditivada - iria para o Uruguai, via porto de Paranaguá (PR), mas nunca chegava ao destino final. As carretas eram deslocadas para uma fazenda no interior da Bolívia, onde os contrabandistas misturavam nafta e condensado de petróleo, também desviados da Bolívia. De lá, o combustível era transferido para outros caminhões menores e distribuidos por vários Estados. O combustível adulterado era transportado com a cobertura de agentes da PF e do inspetor da Polícia Rodoviária Federal. Na operação foram presos os policiais Ronaldo Martins Fraga - que passava informações para o empresário Zeno Tavares, que alugava os caminhões, sobre as operações da PF -, Jarbas Lindomar Rosa e Ricardo Jorge da Costa, que também repassavam informações sigilosas para a quadrilha. O inspetor da PRF, Resende Luiz Marques Filho, indicava para a quadrilha o movimento das barreiras policiais. Segundo a direção da PF, todos os agentes envolvidos responderão a inquérito policial por corrupção passiva, facilitação de contrabando, prevaricação e violação de sigilo funcional. Todos eles foram transferidos na noite de sábado de Cuiabá para Brasília, onde permanecerão presos. Além disso, serão processados administrativamente e perderão seus cargos.PresosForam presos também, os empresários Lauro Coleta Santiago - chefe da organização, segundo a PF -, Edgar Camacho Barrero e Ruben Dario Beijarano, empresários bolivianos donos de importadoras e exportadoras de combustível; Zeno Tavares, que fazia o transporte do combustível adulterado no Brasil; Marcelo do Rosário Ferreira Martins, sargento da PM em Cãceres (MT), que atuava como batedor da quadrilha nas rodovias próximas à fronteira; Maria Bernadete Aparecida Bonifácio, que atuava como doleira para o esquema, e João Batista de Souza, sócio de Lauro Santiago, acusado de ser o contato entre os policiais e o grupo. Três deles - Edgar Camacho, Ruben Beijarano e Maria Bernadete foram indiciados e liberados no sábado.

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