PF prende seis por fraude no Ministério da Fazenda

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira seis pessoas acusadas de envolvimento em um esquema de corrupção no Ministério da Fazenda em São Paulo que pode ter causado prejuízo de R$ 500 milhões aos cofres da União.Segundo a PF, a fraude consistia na inclusão de nomes no programa destinado à liberação de recursos a título de pensão. Os beneficiários recebiam entre R$ 7 mil e R$ 23 mil por mês.Eles constavam da lista oficial do ministério como supostos familiares de auditores do Tesouro e outros servidores federais fantasmas - "criados" pelos funcionários que tinham acesso ao banco de dados de pessoal do órgão. Dos seis presos, três são funcionários da Fazenda - Ivete Jorge, José Roberto de Melo Filho e Sandra do Rosário Camilo de Oliveira, todos agentes administrativos da Delegacia de Administração do ministério.O quarto detido, Itamar Visconte Lopes, trabalha no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão como relator de vistoria da Gerência Regional do Patrimônio da União. Dois beneficiários, Lúcio de Carvalho e Manoel Gino Maranhão, também foram localizados. A superoperação da PF foi desencadeada às 7 horas. Equipes com 52 agentes e delegados fizeram buscas simultâneas em 18 endereços em São Paulo e em Bauru, interior do Estado.Nas residências de Ivete, José Roberto e Sandra, os federais recolheram documentos bancários, extratos e recibos de depósitos e ordens de crédito para as contas dos favorecidos em agências do Banco do Brasil. O delegado Nivaldo Bernardi, que dirige a Delegacia de Prevenção e Repressão a Crimes Previdenciários da PF, define o rombo como "uma coisa de louco, uma fraude virtual pelo computador da Fazenda". Ele autuou os suspeitos em flagrante, por estelionato previdenciário. Bernardi vai intimar os superiores dos funcionários da Delegacia de Administração da Fazenda. "Queremos saber como é que esse pessoal tinha tanta facilidade para inserir nomes de amigos e vizinhos na relação dos beneficiários", conta o delegado.Ele se diz impressionado com o patrimônio dos acusados - aparentemente incompatível com os vencimentos que recebem da União. Um deles mora em uma mansão em Vinhedo e é proprietário de uma transportadora. A investigação da PF teve início em 1999 em Rondônia, onde oito servidores do Ministério da Fazenda foram demitidos sob acusação de liderar o esquema de criação de pensões fraudulentas.Há dez dias, a PF prendeu em São Paulo Gérson de Oliveira, da Delegacia de Administração. Ele confessou o golpe e apontou os nomes de colegas que também tinham a senha para acessar o programa de pagamento de benefícios. Ivete Jorge, de 41 anos, trabalha há 12 na Fazenda. Ela recebe R$ 1,5 mil como agente administrativo. A PF constatou que Ivete incluiu uma irmã e uma sobrinha na lista dos pensionistas - juntas, elas sacavam R$ 7,5 mil todos os meses da conta de um auditor que já teria falecido, segundo registro lançado no sistema de pessoal do ministério.José Roberto, de 40 anos, está há 16 no setor. Sandra do Rosário, de 43 anos, é servidora desde 1980. Manoel Maranhão, um dos beneficiários, é vendedor de salsicha. Recebia R$ 7 mil por mês. Nenhum acusado quis se manifestar sobre a acusação.

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