PF prende sete e procura 25 madeireiros no Pará

A Polícia Federal prendeu hoje sete empresários do setor madeireiro acusados de falsificação de documentospúblicos, sonegação de impostos e abate clandestino de árvores da floresta amazônica. A operação "Feliz Ano Velho", que contacom 110 agentes da PF de Brasília e do Pará deverá efetuar um total de 32 prisões em oito municípios paraenses. Os mandadosforam assinados pelo juiz federal Rubens Rollo D´Oliveira. De acordo com os procuradores da República no Pará, Felício Pontes Júnior e Ubiratan Cazetta, o esquema criminoso,descoberto em novembro passado por uma auditoria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), envolve 114 empresas acusadas de forjar documentos para a venda ilegal de 39 mil metros cúbicos de madeira. Além de derrubar mais de três milhões de árvores, os madeireiros sonegaram de impostos cerca de R$ 40 milhões. ?Com as prisões, começamos a separar o joio do trigo e a valorizar o setor madeireiro que trabalha na legalidade?, esclarece o gerente executivo do Ibama no Pará, Marcílio Monteiro. A conexão criminosa das madeireiras no Pará, resume, é articulada com empresas de Mato Grosso. As primeiras prisões começaram após as seis da manhã.Alguns empresários pediram para não ser algemados quando eram levados até a sede da PF, onde ocupam duas celas. O superintendente do órgão, delegado JoséFerreira Sales,está tentando a transferência dos presos para a Penitenciária de Marituba, mas depende da autorização dogovernador Simão Jatene (PSDB). Vários advogados estiveram na PF tentando falar com seus clientes e obter informações sobre os decretos de prisão. Algunsprometiam ingressar até o final da tarde com pedidos de hábeas-corpus na Justiça Federal, em Belém. Em nota, a direção da PFem Brasília afirma que além de atuar diretamente no "combate à delinqüência ambiental organizada",a operação Feliz Ano Velhotem também o objetivo de ?desencorajar este tipo de delito no Brasil?. A falsificação das Autorizações de Transporte de Produtos Florestais (ATPFs) identificada pelos agentes do Ibama,segundoSales, foi comprovada por perícia realizada pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal. Os fraudadoresmovimentaram grandes quantidades de produtos florestais controlados e até mesmo proibidos. Quando chega ao continenteeuropeu o metro cúbico de mogno pode valer até US$ 1,500. Os municípios onde as irregularidades mais aconteceram foram Tailândia, Tomé Açu, Breu Branco, Paragominas, Marabá, Mãedo Rio e Moju. É neles que os policiais federais devem cumprir todos os mandados de prisão expedidos pelo juiz Rubens RolloD?Oliveira. Sindicatos das indústrias madeireiras paraenses criticaram as prisões, acusando o Ibama de fazer ?exigênciasabsurdas? para permitir a extração e comercialização de produtos florestais.

Agencia Estado,

22 de janeiro de 2004 | 18h54

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