PF prende supostos líderes do tráfico internacional de drogas em MG

No período de investigação, foram realizados 15 flagrantes, todos de drogas enviadas pelos alvos da Operação Conaf, com a apreensão de mais de 100 quilos de cocaína

Fabiana Marchezi, do estadão.com.br

26 de maio de 2010 | 11h32

SÃO PAULO - Com a prisão de supostos lideres de uma quadrilha voltada para o tráfico internacional de drogas, a Polícia Federal de Minas Gerais finaliza nesta quarta-feira, 26, a Operação Conaf - Conexão África.

 

De acordo com a PF, formado principalmente por nigerianos residentes em São Paulo, o esquema enviava drogas para vários países da Europa, mas principalmente para a África do Sul, valendo-se de empresas de exportação sediadas em Belo Horizonte.

 

Nesta quarta, estão sendo cumpridos seis mandados de prisão - contra brasileiros e nigerianos - e três de busca e apreensão, inviabilizando a conexão. A ação teve início em outubro de 2009, com a apreensão, em Belo Horizonte, de produtos como tesouras de jardinagem e instrumentos musicais, recheados com cocaína, que seriam enviados a países da Europa e África do Sul. Para este ultimo, especificamente, foram enviados banners e estandartes de jogadores de futebol repletos de cocaína. O material foi todo apreendido pela PF e já destruído com ordem judicial.

 

Ainda segundo o órgão, essas apreensões levantaram suspeitas de que haveria um esforço dos suspeitos na formação de estoques de drogas na África do Sul, para futuras distribuições internas e vendas durante a Copa do Mundo. Além disso, a África do Sul estaria sendo usada como depósito para abastecer países europeus e orientais.

 

Após as primeiras apreensões, a PF iniciou esforço em levantar quem seriam os organizadores do esquema que teriam as ligações com os financiadores europeus e quais outras formas eram utilizadas para o envio da droga.

 

Com isso, os últimos sete meses de investigações levaram à grupos liderados por nigerianos, que utilizavam os mesmos expedientes: através de empresas de exportação, inseriam drogas em produtos vendidos para fora do Brasil, que viajavam em cargas marítimas ou aéreas, com aspecto de legalidade.

 

Pacotes também eram enviados pelos Correios ou empresas privadas de entregas internacionais. Além destas formas, os lideres também arregimentavam "mulas" para transportarem drogas, ingerindo-as ou pendendo-as em seus corpos, ou camuflados em malas e outras bagagens.

 

"MULAS"

 

Neste período de investigação, foram realizados 15 flagrantes, todos de drogas enviadas pelos alvos da Operação Conaf, com a apreensão de mais de 100 quilos de cocaína.

 

Nestas situações, 25 pessoas foram presas. Elas eram de várias nacionalidades, o que demonstra a internacionalização, além da profissionalização dos chamados "mulas". Atualmente, essas pessoas fazem parte da organização, com contato constante com os líderes, prestando serviço específico de transporte da droga. Um dos presos, inclusive, chegou a realizar 10 viagens em um único ano.

 

Os presos eram, além de brasileiros, de nacionalidade moçambicana, sul-africana, filipina e romena, entre outras. Vários dos estrangeiros já haviam cumprido pena por tráfico. Eles eram expulsos do Brasil e retornavam para continuar o trabalho de "mula", com passaportes falsos.

 

Além destas prisões realizadas por policiais federais de Minas Gerais, no último mês de abril lideranças nigerianas de um grupo paralelo foram presas por agentes federais de Santa Catarina.

 

EUROPA

 

Na Alemanha, no último dia 14 de abril, foi realizada a Operação Orange, contra o braço europeu do esquema atingido hoje pela Operação Conaf. Na ocasião, foram presos diversos traficantes que recebiam drogas da América do Sul e faziam a distribuição por vários países do continente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.