PF prende suspeito de ser maior traficante de maconha do Paraguai

Em 2002, Líder Cabral teve sua casa invadida por cerca de 20 homens a mando do traficante brasileiro Fernandinho Beira-Mar, numa disputa pelo controle do tráfico na região

Fabiana Marchezi, do estadão.com.br

14 de julho de 2010 | 14h15

SÃO PAULO - A Polícia Federal prendeu na manhã desta quarta-feira, 14, na cidade paranaense de Planalto, o suposto traficante Carlos Arias Cabral, conhecido como Líder Cabral. A prisão aconteceu durante a Operação Liderança, realizada pela delegacia de Polícia Federal em Guaíra, no Paraná.

 

Segundo informações prestadas pela Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) do Paraguai, Cabral seria o maior traficante de maconha do Paraguai, sendo responsável pelo envio de grandes carregamentos da droga para o Brasil.

 

As investigações começaram há um ano e foram realizadas pela delegacia de Guaíra, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai.

 

De acordo com a PF, inicialmente, os agentes não sabiam que um dos investigados era Cabral, já que o mesmo utilizava-se de diversos nomes para ocultar sua verdadeira identidade. Após a confirmação de que se tratava de Líder Cabral, a investigação passou a tramitar perante a Justiça Federal em Toledo, também no Paraná, por conta da internacionalidade dos crimes praticados pela suposta quadrilha.

 

Nos últimos meses, Cabral refugiou-se na cidade argentina de Andresito, pois temia ser morto por outros traficantes que atuam na região de fronteira entre o Brasil e o Paraguai.

 

A partir da segunda metade dos anos 90, Cabral passou a ser um dos maiores traficantes em atuação na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Porém, em 9 de janeiro de 2002, na cidade de Capitan Bado, no Paraguai, Líder Cabral teve sua casa invadida por cerca de 20 homens fortemente armados, a mando do traficante brasileiro Fernandinho Beira-Mar, numa disputa pelo controle do tráfico de drogas na região.

 

Na ocasião, Cabral escapou pulando o muro de sua casa, mas sua esposa e um filho de 3 anos foram mortos junto com mais nove pessoas, fato amplamente divulgado pela imprensa dos dois países.

 

Nas três semanas seguintes, Líder Cabral iniciou uma reação contra a quadrilha de Beira-Mar, resultando na morte de 22 pessoas. Nessa disputa, Beira-Mar foi expulso do Paraguai, e o tráfico de maconha no país vizinho passou a ter Líder Cabral como principal articulador.

 

Depois disso, o investigado Líder Cabral passou a morar em Andresito, na Argentina, usando documento argentino em nome de Nicolas Ferreira Duarte, identidade argentina.

 

Aos poucos, foi se relacionando com moradores das cidades paranaenses de Planalto e Capanema, onde era visto constantemente. Buscando diversificar sua área de atuação, Cabral passou a manter contato com o paraguaio Juan Carlos Portillo, conhecido como Carlos Pedro Juan, um dos principais fornecedores de pasta-base de cocaína, maconha e armas daquele país.

 

Portillo atua, principalmente, na cidade paraguaia de Ciudad Del Este, conforme informações prestadas pelas autoridades paraguaias. As investigações ainda dão conta de que Cabral e Portillo estariam planejando assassinar Jorge Samudio, secretário de Carlos Ruben Sanchez, o "Chicaro", outro suposto traficante de drogas residente no Paraguai.

 

Ainda segundo a PF, Portillo pretendia assassinar Samudio em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, já que o concorrente teria invadido seu território e estaria prejudicando seus negócios.

 

Da mesma forma, a quadrilha de Cabral estaria planejando assassinar o traficante Carlos Antônio Caballero, o "Capilo e Embaixador". Caballero seria um dos supostos líderes do Primeiro comando da Capital do Brasil no Paraguai e estaria se intrometendo nos negócios da quadrilha.

 

OPERAÇÃO

 

Ao todo, em um ano, a Operação Liderança prendeu 12 pessoas em flagrante e apreendeu mais de 32 toneladas, 50,5 quilos de crack e 51 quilos de cocaína nos Estados do Paraná, São Paulo e Minas.

 

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