PF prende suspeitos de vender sentença

Agentes cumpriram 30 mandados de buscas e apreensão e 9 de prisões temporárias em MT

Fátima Lessa, ESPECIAL PARA O ESTADO, CUIABÁ, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2010 | 00h00

O ex-prefeito do Alto Paraguai (MT), Alcenor Alves, a mulher do ex-desembargador Tadeu Cury, a advogada Célia Cury, e cinco advogados foram presos ontem durante a operação Asafe da Polícia Federal de Mato Grosso por suposto envolvimento num esquema de vendas de sentenças no Judiciário mato-grossense.

O esquema vinha sendo investigado desde 2007 em inquérito judicial conduzido pela ministra Fátima Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O inquérito corre em segredo de Justiça.

As investigações começaram quando a PF em Goiás encontrou situações que envolveriam possível crime de exploração de prestígio (quando o crime envolve servidor do alto escalão do Poder Judiciário) em Mato Grosso. A polícia investiga ainda crimes de corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha. Segundo o superintendente da PF em MT, Valmir Lemos, além dos presos outras 40 pessoas devem ser ouvidas.

Os principais alvos dos mandados de busca e apreensão foram os magistrados. Ontem, os policiais apreenderam documentos nas casas de José Tadeu Cury (ex-desembargador aposentado pelo CNJ), Donato Fortunato Ojeda (ex-desembargador), Eduardo Jacob (juiz do TRE-MT), Ciro Miotto (juiz auxiliar do TJ-MT), José Luiz de Carvalho (desembargador do TJ-MT) e Evandro Stábile (desembargador do TJ-MT e presidente do TRE-MT).

Mal-estar. Durante o depoimento, Donato Fortunato Ojeda passou mal e foi internado na UTI de um hospital de Cuiabá. Ele teria sofrido um derrame cerebral. Seu advogado, Anderson Nunes, disse que iria á Brasília para se "inteirar do processo".

O juiz Eduardo Jacob teve computadores, documentos e um revólver calibre 38 apreendidos. O presidente do TRE-MT, desembargador Evandro Stábile, não foi localizado para comentar sobre a apreensão de documentos em sua casa. A casa de Stábile também teria sido alvo das ações dos agentes federais. Segundo a assessoria do TRE-MT, o desembargador está viajando, mas ninguém soube informar para onde ele foi.

Por meio de sua assessoria, o presidente do TJ-MT, desembargador José Silvério Gomes, disse que, por enquanto, não vai se posicionar sobre as investigações da PF que apontam ligações com o TRE. Ele foi avisado sobre as diligências na casa de desembargadores e juízes na segunda-feira.

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