Fábio Motta/AE
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PF prende traficantes escoltados por policiais na Rocinha, no Rio

10 suspeitos foram presos na Gávea, vizinha à favela da zona sul, que deve receber próxima UPP

Pedro Dantas, da sucursal do Rio de Janeiro,

09 Novembro 2011 | 21h24

A Polícia Federal prendeu nesta noite três policiais civis, um policial reformado e um ex-PM que faziam escolta para a fuga de cinco traficantes da favela da Rocinha, na zona sul do Rio. A expectativa é de uma invasão na área no fim da semana, com apoio das Forças Armadas. O comboio criminoso foi detido na Gávea, bairro vizinho, na frente do câmpus da Pontifícia Universidade Católica (PUC).

Entre os criminosos, estava Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, chefe do tráfico de drogas do Morro do São Carlos, que havia se refugiado na Rocinha desde que a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) ocupou a favela no centro. Dividido em quatro carros, o grupo levava 11 pistolas, 5 granadas, 3 fuzis (um deles dourado) e quantidade não informada de munição e drogas, além de vários maços de dinheiro, radiotransmissores, relógios e correntes de ouro e laptops. Mais adiante, próximo do Jockey Club, no Jardim Botânico, a PF prendeu um segundo grupo.

Nesta quarta-feira, a polícia do Rio passou o dia cercando a favela da Rocinha. Antonio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico local, ainda não foi encontrado.

A informação de que policiais poderiam dar fuga ao chefe do tráfico levou agentes da Corregedoria Interna da Polícia Civil à favela. Havia um forte boato de que ele fugiria na viatura de uma delegacia especializada da Polícia Civil, que realizaria uma operação na região ontem. Agentes da Corregedoria estiveram nos acessos à favela, mas a suposta operação da polícia não aconteceu e ninguém foi preso.

Trata-se do segundo relato de uma suposta participação policial na facilitação da fuga dos traficantes às vésperas da ocupação da Rocinha. Na terça-feira, o Serviço de Inteligência da Polícia Civil recebeu informações de que PMs ajudaram os traficantes a retirar armas e drogas. A Secretaria de Segurança informou que não comentará o assunto.

Ligações perigosas. As suspeitas de ligação entre o tráfico da Rocinha e a banda podre da polícia são antigas. Em fevereiro, em depoimento à PF, um ex-informante da favela disse que dois soldados do Bope participavam de festas promovidas por Nem. Ele acrescentou que o chefe do tráfico pagava mesada de R$ 100 mil a quatro policiais lotados na Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos e Delegacia de Combate às Drogas. O relato deu origem à Operação Guilhotina.

Em março do ano passado, o ex-soldado da PM Carlos Henrique Pereira Januária, acusado de ser segurança de Nem, foi preso. Em agosto de 2007, o policial civil Sérgio Luiz de Albuquerque foi flagrado em escutas telefônicas avisando sobre uma operação policial na Rocinha.

Desde a noite de terça-feira, 50 PMs do Batalhão de Choque estão nos acessos à Rocinha para evitar tumultos e fugas em "bondes", como são chamados os comboios de carros com traficantes armados. Policiais do Bope estão posicionados no mirante da Vista Chinesa, para evitar uma fuga pela mata.

Moradores deixaram a Rocinha na manhã de ontem. Escolas e o comércio funcionaram normalmente. Mas, apavorados com a possibilidade de um banho de sangue no fim de semana, líderes comunitários procuraram Nem na terça. Ele garantiu que não haverá resistência à ocupação. / COLABOROU FÁBIO GRELLET

 

Atualizado às 23h15

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