PF realiza operação contra sonegação em SP, RJ e BA

Oficialmente a Receita não informa qual é a empresa, mas apuração do 'Estado' mostra que é a Cisco

Adriana Fernandes, da AE e Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

16 Outubro 2007 | 08h41

A Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram na madrugada desta terça-feira, 16, a Operação Persona, cujo objetivo é desarticular uma rede de fraudes no comércio exterior envolvendo uma multinacional americana. Oficialmente a Receita não informa qual é a empresa, mas apuração do Estado mostra que é a Cisco Systems, INC. A empresa é líder mundial no segmento de serviços e equipamentos de alta tecnologia para redes corporativas, para internet e telecomunicações.   O Ministério Público Federal também participa da operação, que ocorre em três Estados brasileiros: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Segundo nota oficial da Receita, 93 mandados de busca e apreensão e 44 ordens de prisão temporária foram expedidos pela Justiça Federal de São Paulo (SP).   A Operação Persona é fruto de dois anos de investigações da PF. O esquema utilizava laranjas para importação, ocultação de patrimônio, contrabando, sonegação fiscal, falsidade ideológica, uso de documento falso, evasão de divisas e corrupção ativa e passiva.   Por meio de offshores sediadas em paraísos fiscais - Panamá, Bahamas e Ilhas Virgens Britânicas - e com quadro societário composto por pessoas de baixo poder aquisitivo, as importações eram solicitadas pelo cliente final junto à multinacional, possibilitando a redução de tributos. Com este esquema era possível a ocultação do real importador, do solicitante e dos reais beneficiários.   As investigações identificaram que, no esquema, eram realizadas operações comerciais simuladas, lastreadas em notas fiscais ideologicamente falsas ou inexistentes, de subfaturamento das importações, que levavam a situações de importações a custo zero e concessão de descontos que atingiam até 100% do valor das mercadorias, fato que inviabilizava a cobrança dos tributos.   De acordo com a Receita, na cadeia de importação encontram-se dirigentes brasileiros da multinacional americana e de sua distribuidora em São Paulo, que conseguem abastecer o mercado nacional com seus produtos sem industrializá-los e sem participar formalmente de qualquer processo de importação.   Nos últimos cinco anos, o grupo teria importado, de maneira fraudulenta, aproximadamente US$ 500 milhões em valores declarados de produtos para a multinacional americana e um volume mensal de 50 toneladas de mercadorias. Os impostos que deixaram de ser pagos e as multas somam cerca de R$ 1,5 bilhão.   Outro lado   A assessoria da multinacional Cisco Systems afirma: "Estamos cientes da operação da PF. Não temos nada para declarar oficialmente ainda. As informações estão sendo checadas pela empresa, e não temos resposta nenhuma até o momento (se estão envolvidos ou não)."   Texto atualizado às 15h46   Texto corrigido às 16h40. Oficialmente a Receita não revelou o nome da empresa envolvida. A informação foi obtida por reportagem do Estado

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