PF rebate críticas de governo carioca

O superintendente da Polícia Federal no Rio, Marcelo Itagiba, rebateu nesta quinta-feira as críticas do governo estadual, segundo as quais a corporação não atua no combate ao narcotráfico como deveria, e disse que cabe às Polícias Civil e Militar do Estado implementar as ações contra os traficantes. A atribuição da PF seria apenas auxiliar nessatarefa, por meio de investigações.O patrulhamento da Baía de Guanabara, por onde chegariam drogas e armas, segundo a polícia, não seria, para o superintendente, suficiente para diminuir o poder dos criminosos ? apesar de essa ser uma tese defendida há muito pelo Estado, que diz que se trata, mais uma vez, de uma obrigação da PF. ?Não entra pela baía e sim pelas estradas. E sempre haverá a possibilidade de entrar drogas e armas porque não há no mundo um país que abra todos os contêineres de importação e exportação?, disse. A solução seria, então, ?combater as estruturas de criminalidade que estão enraizadas aqui?, afirmou, além de agir contra os traficantes. O patrulhamento das estradas é feito pela Polícia Rodoviária Federal, que costuma trocar informações com a PF.Evitando criar polêmica, Itagiba disse que há uma confusão quanto às obrigações de cada corporação. ?Temos que entender o que a PF faz. A PF não é uma polícia preventiva, não é destinada a patrulhamento de rua, é para apurar o crime. O tráfico internacional fica mais a cargo da PF eo tráfico dentro do Rio fica mais a cargo da polícia do Rio.? Ele preferiu não atribuir culpas. ?Há muito tempo a situação está ruim e a população espera que as autoridades atuem de forma efetiva e em conjunto.? A PF dispõe de 700 agentes no Rio, número considerado suficiente pelo superintendente para as missões que corporação tem desenvolvido. Mas a proposta de aumento do efetivo, que consta do plano de segurança da União para o Rio, agrada a Itagiba. ?É sempre bem vindo.?DiscussãoDesde que começaram as negociações da governadora Rosinha Matheus com o governo federal quanto à ajuda para combater a violência no Estado, as autoridades, incluindo Rosinha, têm afirmado que a União deveria se empenhar mais na luta contra o tráfico. Nesta terça-feira, o presidente do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio, coronelJorge da Silva, foi enfático ao dizer que, se o governo federalcumprisse seu dever, a situação da segurança no Rio melhoraria. O superintendente da PF ? que está no cargo há um ano e sete meses e acredita que as ondas de violência são cíclicas ? defendeu a volta da Força-Tarefa iniciada no ano passado para o combate à criminalidade. Ele diz que a iniciativa não foi adiante porque se tratava de um ano eleitoral, o que dificultou entendimentos. Veja o especial:

Agencia Estado,

12 de março de 2003 | 18h08

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