PF sabe quem são os ´laranjas´ do caso dossiê

A Polícia Federal descobriu que um grupo de petistas se serviu de ´laranjas´ para limpar parte do dinheiro, provavelmente de origem ilícita, que usaria na compra do dossiê contra tucanos. Os dólares fazem parte do montante de R$ 1,75 milhão apreendido em poder de Gedimar Passos e Valdebran Padilha, presos num hotel em São Paulo, em 15 de setembro passado.A PF já sabe que eles são entre cinco e nove, de uma mesma família, residentes na Baixada Fluminense. Sabe também que eles são pobres e não tinham meios para realizar operação desse vulto. A investigação precisa agora descobrir se eles "alugaram" seus CPFs, ou se tiveram seus nomes usados indevidamente pelos petistas e se os donos da empresa tinham conhecimento da operação.AdiamentoA PF adiou a busca que faria na segunda-feira na empresa Vicatur Câmbio e Turismo, de Nova Iguaçu, no Rio, de onde teria saído a maior parte dos US$ 248,8 mil destinados à compra do dossiê Vedoin. O adiamento se deu por causa do vazamento do nome da empresa e por razões operacionais, segundo informou a PF. O objetivo da operação, que agora não tem data para ser realizada, é obter a contabilidade paralela da empresa e desmantelar o "laranjal" que ela teria montado com clientes de fachada desde 2003 para fins de lavagem de dinheiro. Com o atraso no cronograma, a PF não sabe se será possível chegar aos reais responsáveis pela compra dos dólares até o segundo turno da eleição presidencial, no próximo domingo. Nesta segunda-feira, policiais da Divisão de Combate a Crimes Financeiros (Defin) realizaram diligências sigilosas para localizar os clientes laranjas.VicaturAutorizada a operar com câmbio de moeda estrangeira desde 1999, a Vicatur foi advertida pelo Banco Central ao Ministério Público do Rio por suspeita de irregularidade em operações de câmbio. Muitos clientes para os quais a agência vendia moeda estrangeira tinham CPF falso. Em alguns casos, as pessoas sequer sabiam que seus nomes tinham sido usados nas operações.Com base no informe do BC, o MP abriu investigação. A PF agora reuniu dados indicando que a empresa atua como um grande "laranjal". Muitas dos seus clientes eram na verdade pessoas humildes que alugam seus CPFs mediante pequena comissão, para que terceiros comprem dólares, em operações de lavagem, ou no que se costuma chamar de esquentamento de dinheiro de origem irregular. Isso ocorre quando se quer trocar reais sujos por dólares limpos.O município de Nova Iguaçu é um tradicional reduto petista, administrado pelo prefeito Lindberg Farias (PT). A primeira suspeita, divulgada por fontes da PF, era de que o dinheiro havia sido obtido numa corretora de Duque de Caxias, também na Baixada Fluminense.

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