PF só pretende intimar laranjas depois da eleição

A Polícia Federal só vai intimar depois da eleição do próximo domingo os "laranjas" que adquiriram os US$ 248,8 mil dólares usados na frustrada tentativa de compra do dossiê Vedoin. Um balanço parcial dos rastreamentos feitos na primeira fase do inquérito mostra que, das 2,8 milhões de chamadas de 56 mil aparelhos, 380 mil partiram ou se destinaram à Presidência da República.Segundo a PF, o volume de trabalho tem sido avassalador e a instituição tem que pautar sua atuação conforme a conveniência da investigação e não pelo calendário eleitoral.Para dar uma idéia do volume de trabalho desse inquérito, a PF informou que até o momento foram processadas 1,6 milhão de transações financeiras, a partir do cruzamento de 43,7 mil contas. No total, foram processados 66,2 mil dados. O principal objetivo do inquérito, nesta nova etapa, é desvendar a origem de todo o dinheiro - R$ 1,75 milhão - destinado à compra do dossiê, apreendido em poder dos petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha num hotel de São Paulo, em 15 de setembro passado. A origem dos dólares está praticamente desvendada.´Laranjas´ envolvidosSegundo a PF, a maior parte do dinheiro estrangeiro foi adquirido por um grupo de cinco a nove pessoas de uma mesma família, na Vicatur Câmbio e Turismo, de Nova Iguaçu, no Rio. Pobre e sem meios para justificar operação dessa monta, a família seria do município de Magé.O objetivo da investigação agora é descobrir se eles "alugaram" seus PFs, ou tiveram os nomes usados indevidamente pelos petistas, e se os donos da empresa que vendeu os dólares tinham conhecimento da operação.Autorizada a operar com câmbio de moeda estrangeira desde 1999, a Vicatur foi objeto de uma comunicação do Banco Central ao Ministério Público do Rio, por suspeita de irregularidade em operações de câmbio. Em alguns casos, as pessoas nem sequer sabiam que seus nomes tinham sido usados nas operações na agência.

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