PF também fará inquérito sobre acidente da Gol

O superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso, Geraldo Pereira, informou nesta terça-feira, 3, que a Polícia Federal entrará a partir de quarta-feira nas investigações sobre a colisão do Boeing da Gol com o jato Legacy, ocorrido na sexta-feira, sobre a região do Parque Nacional do Xingu.O delegado, porém, fez a ressalva de que a entrada da PF no caso não interrompe, por enquanto, as investigações que estão sendo feitas pela Polícia Civil do Estado. O inquérito da PF será aberto a pedido do Ministério Público Federal, segundo o superintendente. A praxe é de que o delegado que será designado para presidir esse inquérito peça ao juiz estadual do caso que decline da competência em favor da Justiça Federal.O superintendente informou também que a Polícia Federal requisitará cópia integral do inquérito da Polícia Civil e também os passaportes do piloto e do co-piloto do jato Legacy, já apreendidos.AnacA Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou no início da noite desta terça a chegada ao País de quatro técnicos em aviação norte-americanos que acompanharão os trabalhos da Comissão de Investigação sobre a queda do Boeing 737-800 da Gol.Em nota, a agência informou que um dos peritos representa a Federal Aviation Administration (FAA), que é o órgão responsável pela fiscalização e regulação da aviação civil nos Estados Unidos, e outros três são do National Transportation Safety Board (NTSB), uma instituição internacional de aviação.Além dos especialistas americanos, os trabalhos também vão ser observados por representantes da companhias Boeing e Embraer, fabricantes dos dois aviões que se chocaram no ar.Segundo a Anac, a Comissão de Investigação não terá um local fixo de trabalho e os técnicos poderão se deslocar, "de acordo com as necessidades de análise do acidente", por São José dos Campos, Rio de Janeiro, Brasília e Serra do Cachimbo (MT).PassaportesAinda nesta terça, policiais federais apreenderam, no Rio, os passaportes dos norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, piloto e co-piloto do jato Legacy. Medida teve como objetivo evitar que eles deixem o País antes de serem reinquiridos sobre o acidente.Munidos de mandado de busca e apreensão, os agentes federais foram até o Centro de Medicina Aeroespacial (Cemal), na Ilha do Governador, zona norte da cidade, onde os pilotos passaram o dia fazendo um check-up. Os dois passaportes têm vistos temporários que lhes permitem permanecer no território nacional por 20 dias, expedidos pelo Consulado Geral do Brasil em Nova York no dia 20 de setembro.No centro, Lepore e Paladino foram assistidos por uma equipe de médicos e psicólogos. Fizeram testes clínicos e laboratoriais; entre eles, exames de sangue, de urina, raio x, eletrocardiograma e eletroencefalograma. Os dois estavam acompanhados de uma representante do Consulado dos Estados Unidos no Rio, uma senhora norte-americana, e um advogado brasileiro. Os dois permaneceram por mais de nove horas no Cemal, que é referência da Aeronáutica na área de perícia médica.As normas brasileiras de aviação ditam que pilotos que se envolvem em acidentes têm de ser submetidos a uma bateria de testes, imediatamente após o episódio, de modo que fique comprovado que estão em boas condições de saúde, física e mental, para continuar voando.Os resultados não foram divulgados pelo Cemal. Lepore e Paladino, de acordo com relatos de funcionários da unidade, não aparentam ter qualquer ferimento. Os pilotos, que chegaram ao Cemal antes das 8 horas, partiram por volta das 17 horas numa minivan com vidros escuros. Não deram entrevistas.Para que os jornalistas que aguardavam a saída fossem despistados, militares lotados no centro passaram informações desencontradas sobre o lugar por onde eles passariam. A estratégia foi bem-sucedida e Lepore e Paladino conseguiram escapar do cerco dos repórteres, fotógrafos e cinegrafistas, rumo a destino ignorado. A representante do consulado e o advogado também foram embora sem dar declarações. A major Anita, que trabalha no setor de relações-públicas do centro, informou que a medida foi tomada "a pedido do consulado dos EUA". "Foi para preservar a privacidade deles", disse.Na segunda-feira, os pilotos relataram à comissão técnica de investigação do Comando da Aeronáutica e da Anac, no Rio, as circunstâncias do acidente. Não há qualquer informação sobre o retorno deles ao seu país.

Agencia Estado,

03 de outubro de 2006 | 21h56

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